A presença do ex-governador e senador Roberto Requião (PMDB) na disputa pelo governo do Paraná pode adiar o resultado das eleições para o final de outubro, com a realização do segundo turno. Esta é a avaliação do professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Clodomiro Bannwart Junior. "Com o Requião na disputa, penso que a Gleisi (Hoffmann, PT) ganha força, pois enfraquece a possibilidade de uma decisão já no primeiro turno."
Considerando que a tese dos dois turnos seja confirmada nas urnas, Bannwart vê maior afinidade entre PMDB e PT para uma possível composição na sequência da disputa, contra o atual governador Beto Richa (PSDB). Para o professor, Gleisi inicia a campanha "chamuscada", tendo em vista as investigações envolvendo o deputado federal André Vargas (sem partido-PR), que era apontado como um dos principais articuladores do PT no Paraná. Quanto à Requião, "volta numa situação tranquila, afinal, tem mais quatro anos como senador. Ele conhece bem a máquina, vem como oposição. E como tem boa oratória, tem todas as condições de partir para o ataque, principalmente nos debates".
Apesar da condição confortável do peemedebista, o partido precisará, na avaliação de Bannwart, medir até que ponto a divisão interna pode interferir no andamento da campanha. "A divisão do partido é ruim, é um prejuízo para o partido tocar a campanha assim. Fica aquela dúvida se todos os filiados vão trabalhar em favor do candidato."
Para Beto também deverá sobrar um enfrentamento difícil com Requião. "A crise financeira do Paraná deixa um peso negativo para a campanha dele." Em lados opostos hoje, PMDB e PSDB já tentaram subir juntos no palanque em 2006, mas acabaram impedidos por decisão judicial. Sobrou, então, a vaga de vice para Orlando Pessuti (PMDB). Segundo o professor, esse histórico tem pouco peso na campanha e nem deve ser explorado pelos políticos. "O eleitor geralmente não guarda essa memória de eleições anteriores."

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