Brasília - A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nelson Jobim, de garantir a realização da convenção do PMDB, no sábado, causou um certo constrangimento na corte. Jobim cassou despacho redigido cinco horas antes pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Sálvio de Figueiredo Teixeira, que suspendia o encontro dos convencionais após analisar um pedido da ala oposicionista do PMDB. Evitando críticas ao colega, Sálvio fez questão de afirmar, porém, que a sua decisão foi jurídica e que não se arrepende dela. ‘‘Estou plenamente tranquilo com a minha consciência: fiz e voltaria a fazer (suspender a convenção)’’, disse o corregedor-geral. Para ele, Jobim ‘‘olhou a questão sob o ângulo de presidente de tribunal’’.
Sálvio não quis comentar também o fato de Jobim ter recebido políticos do PMDB em seu apartamento em Brasília horas antes de derrubar a decisão que impedia a convenção. Indagado se adotaria o mesmo comportamento, o corregedor-geral disse: ‘‘Isso é um problema de cada um.’’ Ex-deputado federal pelo PMDB gaúcho e amigo pessoal do candidato do PSDB à Presidência, José Serra (PSDB-SP), Jobim confirmou que seus ex-colegas de partido estiveram em sua residência na madrugada de sábado. Mas negou informações de ele teria instruído os políticos a como recorrer contra a decisão de Sálvio. Afirmou que apenas orientou-os a entregar o recurso para um assessor jurídico do Tribunal.
Cerca de quatro horas após o encontro com os políticos do PMDB, Jobim cassou o despacho de Sálvio. Indagado ontem se considerava adequado decidir sobre um pedido feito por ex-colegas de partido, Jobim afirmou: ‘‘Virei uma página. Não sou membro de partido. Sou juiz.’’ A realização da convenção do PMDB deverá ser debatida em breve pelos sete ministros do TSE. O tribunal terá de decidir se foi correto manter o encontro ou se o certo seria suspendê-lo.
O caso também está no Supremo Tribunal Federal (STF). No sábado, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), que pretendia concorrer à Presidência da República, encaminhou ao STF um recurso contra a decisão de Jobim que garantiu a realização da convenção. O parlamentar argumenta que o encontro teria de ser anulado porque o edital de convocação não fez menção à discussão sobre uma candidatura própria.

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