Imagem ilustrativa da imagem Decisão de Bolsonaro de nomear filho para embaixada gera reações no Senado
| Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

A decisão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em indicar seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para o posto de embaixador do Brasil, nos EUA, continua a causar reações. Na saída de reunião ministerial, no Palácio da Alvorada, o chefe do Executivo falou sobre sua decisão. “Da minha parte, está definida. Conversei com ele novamente antes de ontem (domingo). Há interesse. Acho que se tiverem argumentos contrários, que não sejam chulos, eu estou pronto, porque não é nepotismo”, disse o presidente, que ressaltou, no entanto, que a formalização da indicação já está definida e que, agora, depende apenas de trâmites diplomáticos e tratativas com o Poder Legislativo. “É logico que corre o risco. Tudo que você faz corre o risco de dar certo ou dar errado. Nós estamos tentando acertar”, disse.

O porta-voz da presidência, Otávio Rego Barros, afirmou que o Ministério das Relações Exteriores já tem pronta a carta de apresentação de Eduardo Bolsonaro, mas que ainda não há uma data definida para encaminhar o pedido de autorização à diplomacia americana. “A partir da confirmação, da firma desse agrément, outras ações haverão de ser desenvolvidas para a consecução e pôr fim a ida do deputado Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos como nosso embaixador”.

Líder do Podemos, senador Alvaro Dias está colhendo assinaturas para protocolar uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para definir que a escolha de chefe de missão diplomática, de caráter permanente, recaia sobre servidor integrante da carreira de serviço exterior. “Isso nada tem a ver com a indicação do Eduardo Bolsonaro, porque o projeto não será aprovado em tempo. Mas a polêmica é que inspira a iniciativa. Se esse projeto passar vigorará para o futuro”, explicou Dias à FOLHA. O senador defendeu que a meritocracia deva ser a orientadora nas nomeações diplomáticas. “Temos que valorizar os que se preparam e superam todos os obstáculos. Para a diplomacia é a necessidade de um vestibular rigoroso no Instituto Rio Branco e depois a superação até se credenciar a ser embaixador”, afirmou.

Na bancada paranaense no Senado, Flávio Arns (REDE) endossou o projeto de Dias por acreditar que esta é uma forma de profissionalizar a diplomacia e privilegiar os servidores de carreira. “A diplomacia é uma das áreas mais sensíveis e estratégicas da política externa de um país. Por isso, requer preparo e experiência. A polêmica em torno desta indicação nos dá a oportunidade de discutir, por exemplo, a necessidade de fortalecimento das carreiras diplomáticas”, disse o senador à FOLHA. A PEC altera o artigo 52 da Constituição Federal. Os nomes dos futuros embaixadores continuarão sendo submetidos à aprovação do Senado Federal.

SONDAGENS

Desde o fim de semana, o Palácio do Planalto tem feito sondagens informais para avaliar as chances de aprovação pelo Senado do nome do parlamentar para o posto diplomático. Os sinais iniciais emitidos pelos senadores preocupam. Um primeiro placar esboçado por emissários do presidente aponta que o parlamentar teria hoje o apoio de oito dos 17 integrantes da CRE (Comissão de Relações Exteriores), o que demonstra pouca folga em uma eventual votação. A previsão de um placar apertado no colegiado já leva auxiliares presidenciais a considerarem fundamental uma ação reforçada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Seus interlocutores afirmam que, embora não tenha não gostado da indicação, ele não pretende trabalhar contra a indicação de Bolsonaro.

Um embaixador indicado pelo presidente da República deve ser sabatinado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. O colegiado, então, vota pela aprovação ou não do nome e depois o plenário da Casa também decide sobre a indicação. Para auxiliar neste trabalho, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse já estar trabalhando. “O governo tem maioria na Comissão de Relações Exteriores e no plenário para aprovar o nome do Eduardo”, apostou Bezerra, que acredita que a questão não deve atrapalhar a tramitação da reforma da Previdência. “São dois assuntos diferentes”, disse.

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