Curitiba - A manutenção da verticalização das coligações para a eleição de outubro tirou os dirigentes partidários do banho-maria e liberou-os para avançarem na costura de alianças. As negociações não podiam evoluir sem a decisão do Judiciário. No Paraná, o PSDB –que lançou o vice-prefeito de Curitiba Beto Richa como pré-candidato ao governo– já vinha trabalhando com a hipótese de reproduzir a aliança nacional com o PFL. Os pefelistas estão rompidos com o governo federal e sem candidato próprio após a desistência da ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney.
A composição governista estadual deve ser formada também pelo PPB e PSL. O PPB não tem candidato à presidência e, portanto, fica liberado regionalmente para lançar candidato próprio ou apoiar algum outro nome. A situação do PSL é a mesma. O PFL, partido do governador Jaime Lerner, deve entrar com o nome do vice.
A verticalização impede, por outro lado, que o PTB, tradicional partido de sustentação do governo, empreste apoio a Beto. Por força de acordo firmado em Brasília –ainda que informal–, PTB, PDT e PPS dão suporte ao palanque do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS) na corrida rumo ao Planalto. O presidente estadual do PTB, deputado Valdir Rossoni (ex-líder governista na Assembléia), é cauteloso ao dar declarações sobre a postura do seu partido nas eleições de outubro. Tem dito que sua posição ‘‘será muito clara’’. O PTB de Rossoni se vê forçado a subir no palanque do senador Alvaro Dias (PDT), pré-candidato do partido ao Palácio Iguaçu. Uma ala significativa do PTB prefere, no entanto, apoiar Beto. O PPS lançou a candidatura ao governo do deputado federal Rubens Bueno, presidente estadual da sigla. ‘‘É lamentável que a Justiça Eleitoral tenha tumultuado o andamento do processo’’, disse. Bueno comentou que a verticalização beneficia a candidatura de Ciro Gomes, ‘‘pois ele já tem o apoio de três partidos’’.
O PMDB, que está nos planos da aliança governista federal, tem candidato próprio no Paraná: o presidente estadual da sigla, senador Roberto Requião, que não pode negociar o apoio do PT porque o partido também tem pré-candidato, o deputado Padre Roque Zimmermann. ‘‘A verticalização é um casuísmo, alguém vai sair ganhando’’, afirmou Requião.

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