Dois prefeitos e uma única prefeitura. Essa era a situação ontem em Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana). No gabinete da prefeitura, o prefeito cassado Pedro Wilson Papin (PSDB) atendia as ligações e dava ordens enquanto o prefeito empossado, Célio Pereira (PMDB), assinava convênios para o município em Curitiba. ''Foi um verdadeiro terrorismo, parece até uma cidade sem lei. Estava em Curitiba e perto das 16h30 começei a receber ligações dos funcionários dizendo que um grupo se aproximava da prefeitura e depois eles começaram a invadir tudo'', relatou Célio Pereira.
Do outro lado, Papin disse que reassumiu o cargo anteontem à noite de forma tranquila. ''A única coisa que houve foi uma porta lateral que nós tivemos que chamar o chaveiro. Não fiz nem metade da agressão que eles fizeram quando fui cassado'', defendeu-se. Ele informou que ontem, junto com alguns funcionários, estava fazendo um balanço com as portas fechadas na prefeitura. ''Não sabemos o que foi comprado, o que foi gasto e o que tem para pagar'', justificou. O prefeito peemedebista acrescentou que fará mudanças no primeiro escalão do Executivo: ''Vou mudar porque não consigo administrar com o povo do outro prefeito''.
Papin retomou seu cargo porque o desembargador do Tribunal de Justiça, Sérgio Rodrigues, concedeu liminar favorável a ele suspendendo a Comissão Processante (CP) que deu origem à cassação. Um dos advogados de Papin, Fabrício Massardo, declarou que a suspensão da CP, ''como consequencia lógica, suspende também os efeitos da cassação''. Questionado se Papin poderia ter retomado o cargo imediatamente, o advogado titubeou: ''Não possou afirmar por que não sei como aconteceu''.

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