BRASÍLIA - A diretoria do Banco do Brasil decidiu dar por encerrado o episódio da divulgação da lista de nove deputados do PPB em débito com a instituição e não reabrir a auditoria interna (Audit), que concluiu pela inexistência de responsáveis pelo vazamento, proibido pela lei do sigilo bancário. O presidente Fernando Henrique Cardoso não se deu por satisfeito com a decisão, mas não demonstrou interesse em cobrar o prosseguimento das investigações. ‘‘Satisfeito eu não posso estar’’, disse Fernando Henrique, evitando responder a indagações sobre possíveis punições.
As declarações à imprensa do assessor legislativo Plínio Gonçalves Dutra, principal suspeito pelo vazamento, indicando que a lista teria sido encomendada pelo Palácio do Planalto não foram suficientes para reabrir a auditoria, conforme comunicado transmitido ontem pela assessoria do BB. Divulgada na última sexta-feira, a auditoria concluiu que a lista fôra encomendada pelo secretário-executivo do Banco, Manoel Pinto, ao chefe da Coordenadoria de Relacionamento Parlamentar, Waldemar Júnior, como providência rotineira para recuperação de créditos.
Plínio Dutra, que tomou contato com a lista no dia em que ela foi encomendada, 27 de novembro, deu a versão de que esse tipo de atribuição não compete à coordenadoria parlamentar e que estaria sofrendo pressões para silenciar sobre o episódio e assumir, sem resistência, a culpa pelo vazamento. Ele é amigo de infância do advogado do PPB, Ronald Bicca, com quem conversou por telefone no dia em que tomou contato com a lista e almoçou dois dias depois em um restaurante da cidade.
Na sexta-feira, Dutra recebeu comunicado do banco de que deveria prestar esclarecimentos num prazo de 24 horas à Gerência de Ética do Banco do Brasil, como acusado em ‘‘evidências quanto à divulgação de informações internas’’. Ele entendeu o comunicado como uma tentativa de incriminá-lo sem defesa e ontem apresentou-se ao serviço em companhia de dirigentes e advogados do Sindicato dos Bancários.
Administrador de empresas e monarquista convicto, Dutra disse que, ao contrário dos dias anteriores, foi bem recebido pelos chefes e colegas e retomou ontem mesmo a rotina do serviço. Ele chegou às 14h30, mas foi orientado a se apresentar à Gerência de Ética e, após ratificar as informações que já havia dado à auditoria. ‘‘Houve uma guinada de 180 graus no tratamento que eles vinham me dispensando’’, disse Dutra. Ele apóia a reabertura da auditoria, desde que, desta vez, ‘‘a investigação seja séria’’. Para ele, ‘‘a primeira foi de uma rapidez anormal’’.
O líder do governo na Câmara, deputado Benito Gama (PFL-BA), defendeu ontem o prosseguimento das investigações e a imediata entrada da Polícia Federal no caso. ‘‘Houve um vazamento que, de acordo com a lei, é crime e tem que ser apurado’’, disse Gama, assegurando que ‘‘o governo quer a verdade’’. Ele acha que o que ocorreu no BB ‘‘é uma pergunta que não deve ficar sem resposta’’, mas entende que o episódio não atrapalha a votação da emenda da reeleição.

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