Para Adriano Codato, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as eleições municipais marcaram a derrota de duas tendências políticas vigentes, o ‘‘lernerismo’’ e o ‘‘requianismo’’, e servem como um alerta para o ‘‘alvarismo’’. Segundo o professor, principalmente o eleitor curitibano detectou a decadência do grupo de Lerner, que tem como integrantes ainda o prefeito Cassio Taniguchi e o ex-ministro do Esporte Rafael Greca. ‘‘O eleitor descobriu ainda que o requianismo não é o PMDB mas o Requião’’, observou.
‘‘O resultado das eleições municipais serviu ainda como um recado importante para o senador Alvaro Dias, que é colocado como o futuro governador do Paraná. Vai ser difícil carregar o nome do PSDB nas eleições para o governo do Estado, em 2002, porque são conjugadas com a de presidente da República.’’ Adriano Codato entende que o desgaste de Alvaro vai se acentuar com a proximidade das eleições 2002 a menos que o governo federal se volte mais para o social, ‘‘mostrando que vai combater politicamente’’.
O cientista político ouvido pela Folha é adepto ainda à tese de que o PT conseguiu livrar-se do discurso radical, o que ajudou principalmente a classe média a afastar-se do ‘‘lernerismo’’. Já o PMDB do senador Requião, no caso específico de Curitiba, foi quem adotou o discurso radical, politizado, de crítica. ‘‘Isso não funciona em termos de atração de votos. No ponto de vista político, quem saiu desgastado da eleição foi o grupo do Maurício Requião.’’

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