A prefeitura de Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina) teve a energia elétrica desligada na última quinta-feira em decorrência de atraso no pagamento da conta desde 2001. A dívida, entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, já passou por renegociação em três ocasiões, mas nenhuma delas foi honrada. As informações foram passadas à FOLHA por um grupo de vereadores da oposição. O prefeito de Primeiro de Maio, Mário Casanova (PMDB), não retornou as ligações da reportagem.
''A gente não sabe o valor exato porque a Prefeitura se recusa a informar, mesmo sendo questionada pela Câmara. É uma coisa incrível, a dívida se arrasta desde o primeiro mandato do prefeito e até hoje não há solução'', afirmou o vereador Jerubaal Matusalém Arruda (PMDB). De acordo com ele, a Copel também se recusa a informar o valor do débito à Câmara alegando que o dado é sigiloso e só pode ser repassado à Prefeitura.
O presidente da Câmara, José Devaldo Pedrineli (PL), confirmou a existência da dívida, mas negou que a Prefeitura esconda o valor do Legislativo utilizando-se de palavras de baixo calão para se referir ao colega entrevistado pela FOLHA. ''É mentira do Jerubaal. Ele é da oposição e só faz crítica.''
Porém, questionado sobre o valor exato da dívida, respondeu evasivamente. ''É mais ou menos R$ 1 milhão. Pode colocar assim que eu garanto.''
A assessoria de imprensa da Copel informou que a última renegociação do débito ocorreu em março deste ano, mas o pagamento não foi regularizado. Segundo a assessoria, o corte de energia realizado esta semana atingiu o Paço Municipal, o parque turístico, o ginásio de esportes, a garagem municipal e uma fábrica municipal de tubos. Após apelo do prefeito Casanova, que teria prometido pagar as faturas em atraso, o Paço e o parque turístico tiveram a energia religada. Os setores ligados às secretarias de Saúde e Educação têm sido poupados dos cortes até o momento.
A assessoria de imprensa da Copel também confirmou que não pode informar à Câmara - ou à imprensa - o valor do débito por causa da ''cláusula de confidencialidade''. ''A Prefeitura goza dos mesmos direitos de outros clientes. Somos apenas uma prestadora de serviços'', informou a empresa.

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