Debatedores sugerem mobilização para tirar Londrina da dormência
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domingo, 31 de dezembro de 2006
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Um dos únicos pontos de total convergência entre os debatedores convidados pela FOLHA para avaliar o ano político de 2006, foi a análise sobre a estagnação política e econômica de Londrina, classificada como estado de dormência.
Hoje você vê uma situação parada, de não ter liderança. O prefeito é que tem que ter esse pulso, e está faltando isso. Está faltando governo. Londrina está perdendo terreno há muito tempo, afirmou o cientista político Mário Sérgio Lepre. A cidade hoje está largada em todos os sentidos, avaliou o economista Renato Pianowski de Moraes. Uma coisa que aconteceu este ano em Londrina é que tivemos um segundo semestre pior do que o primeiro. Normalmente temos um crescimento no segundo semestre. Essa apatia na minha opinião é falta de vontade política, diagnosticou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Rubens Benedito Augusto.
Segundo o cientista político César Bueno, Londrina vive uma contradição. Nunca na história, desde o nascimento da cidade, ela teve tanta representação e influência política. Hoje a cidade tem um governo que é do Partido dos Trabalhadores (PT), tem quatro deputados federais, tem um ministro de Estado, a Márcia Lopes (secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome), tem um governo do Estado que tem uma política de afinidade, então, o que está faltando?, questionou. Já faz 40 anos que Londrina vem perdendo receita para outras regiões. Hoje as regiões de Londrina e Maringá congregam 16% da população do Estado e o PIB (Produto Interno Bruto) dessas duas regiões não ultrapassa 11%. Enquanto que Curitiba e Região Metropolitana congregam 35% da população e 65% da riqueza. Um detalhe pior, é que Cascavel e Foz do Iguaçu têm hoje 9% da população e 11% da riqueza, relatou.
O que está faltando é hegemonia de poder político. Isso deveria partir do prefeito, unificar as forças de fato, e não da retórica, para a retomada do desenvolvimento e o lugar que Londrina pretende ocupar no cenário da política estadual e nacional. Teríamos que criar um grupo suprapartidário para verificarmos os recursos, as emendas, tudo o que está ocorrendo na cidade, para não haver atritos de interesses em nome desse projeto maior, concluiu.
Bueno sugeriu durante o debate, que a sociedade civil organizada e a imprensa tomem a frente da discussão em torno das prioridades de Londrina. Não precisamos e não devemos ficar esperando passivamente ações do poder público. Acho que nós, a sociedade civil organizada, os segmentos empresariais devem discutir, estabelecer prioridades. Acho que essa é a mensagem para o próximo ano para quebrar o estado de dormência, concluiu o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Paraná, Alberto de Paula Machado.
Machado também destacou a necessidade de políticas mais eficientes para atração de indústrias para a cidade. Acho que é muito pouco Londrina ficar como prestadora de serviços porque ela acaba sentindo o impacto de todo empobrecimento regional. Com a indústria você alcança pontos distantes do país e se aproveita do crescimento econômico de outros pontos e até mesmo do exterior. Esse processo de industrialização não podemos abandonar. Pianowki lembrou que a guerra fiscal está proibida, mas propôs que Londrina ofereça uma redução no Imposto Sobre Serviços (ISS) para atrair indústrias.
Na análise de Lepre, Londrina precisa encontrar seus filões. Londrina empobreceu, não tem emprego formal. Esse empobrecimento é histórico, é da região. Quando a agricultura perdeu espaço, Londrina ficou sem o fator de crescimento. Tivemos alguns como a Universidade Estadual de Londrina, Sercomtel, que são muito importantes, que fizeram com que Londrina não parasse tanto. Agora precisamos rever o posicionamento, opinou. Não queremos ser Joinville, que já tem uma base industrial. Talvez isso não seja interessante. Queremos qualidade de vida. Temos que pensar isso de forma clara, segurança, reurbanização dos fundos de vale, equipamento público. Precisamos ter filões, apontou.


