Curitiba - A Assembléia Legislativa reiniciou ontem os trabalhos após um mês de recesso. Embora nenhum projeto tenha sido colocado em votação, os deputados aproveitaram o reinício das sessões para se posicionarem em relação aos temas que devem ser discutidos no segundo semestre. Ontem, o projeto do deputado federal paranaense Ricardo Barros (PP) que determina uma intervenção do governo federal no Porto de Paranaguá foi o assunto que mais mobilizou os parlamentares.
Barros esteve ontem na Assembléia, onde se reuniu com o líder do governo na Casa, Dobrandino da Silva (PMDB). O deputado federal fez uma série de reivindicações e cobrou uma atitude do governo estadual, que segundo ele vem desrespeitando as determinações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). ''A administração do Porto vem descumprindo normas da Antaq em relação ao meio ambiente, além de realizar obras sem a aprovação prévia da agência federal. Além disso, a administração não vem cumprindo as determinações do Conselho da Autoridade Portuária (CAP). O administrador do porto (Eduardo Requião) se gaba por ter R$ 200 milhões em caixa, mas esse é um atestado da incompetência dele. Se ele tivesse realizado as obras determinadas e necessárias ao porto, não haveria sobra de caixa alguma'', afirmou Barros.
O deputado federal afirmou que o governador Roberto Requião (PMDB) está tentando desvirtuar seu projeto de lei, alegando que o decreto iria resultar na privatização ou na federalização do porto. ''Não é nada disso. Sou contra a privatização, e é besteira falar em federalização, uma vez que o porto já é da União e está apenas delegado ao governo estadual. O projeto prevê apenas que o governo federal nomeie um interventor que faça uma auditoria de 90 dias no porto. Se tudo estiver nos conformes, como o governo estadual alega, a delegação continua com o Estado'', comentou Barros. O deputado chegou a pedir para participar na reunião do secretariado estadual amanhã para expor seu ponto de vista.
Dobrandino afirmou que irá levar os documentos apresentados por Barros ao governador, e irá tentar convencer o parlamentar a retirar o projeto aprovado na Câmara dos Deputados, que deve seguir agora para o Senado. ''Uma das reivindicações é que sejam construídos silos e esteiras para escoar a soja transgênica, mas acho difícil que o governador vá aceitar essa idéia. De qualquer maneira, vamos lutar para que o projeto não seja aprovado em Brasília, porque é importante que o porto continue com os paranaenses'', disse Dobrandino.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), determinou a realização de uma audiência pública sobre o tema para que os parlamentares fiquem a par das discussões realizadas em Brasília. Além de membros da Antaq, representantes da administração do porto também serão convidados a participar. No primeiro semestre, uma CPI apresentou diversas irregularidades no Porto de Paranaguá.

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