Debate sobre indústria domina campanha
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sexta-feira, 22 de setembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
O resultado da eleição em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, deve medir o apoio popular à política de industralização do município, que virou pólo automotivo com a instalação da Renault e Audi/Volkswagen. O prefeito Luiz Carlos Setim (PFL), candidato à reeleição, está pretendendo colher os dividendos do novo perfil econômico plantado pelo governo Jaime Lerner (PFL) no município. A oposição, do outro lado, bate firme nos reflexos negativos dessa industrialização.
Sétimo colégio eleitoral do Paraná, com 112.680 eleitores, São José dos Pinhais recebeu a maior parte dos investimentos do governo estadual dos últimos anos. O prazo para dilação de quatro anos do recolhimento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), ofertado pelo governo, como incentivo às novas empresas, termina no próximo ano. Com isso, a arrecadação local deve crescer mais do que os outros municípios durante a gestão do próximo prefeito.
Mesmo antes do recolhimento efetivo dos impostos do pólo automotivo, entre 1996 e 1999, a receita da prefeitura quase dobrou, o que acirra a disputa. O orçamento, que era de R$ 45 milhões em 1996, passou a R$ 85 milhões em 2000 é o oitavo orçamento público do Paraná.
Nesse período, a iniciativa privada principalmente os fornecedores das montadoras investiu no município quase R$ 2 bilhões. Nas eleições de 1996, o número de eleitores era de 88.993. Houve um aumento no eleitorado de quase 17%, maior que o índice de crescimento populacional local.
A vinda das montadoras foi ótima para o Brasil, regular para o Paraná e ruim para São José. O município não estava preparado para o impacto e o atual prefeito não foi capaz de equilibrar os benefícios e os problemas trágicos que a industrialização trouxe, critica o candidato do PPB, Habib Sarquis, principal adversário de Setim. Temos desemprego, falta de qualificação da mão-de-obra e a segurança e saúde pública estão um caos.. Segundo ele, seria mais interessante para o município se o crescimento econômico fosse na agroindústria e na pequena e média empresas.
O candidato do PT, professor Edson Fagundes, também questiona a industrialização. Defendo o emprego e a vinda das indústrias foi importante para criar novos postos de trabalho. O problema é o custo disso, ressaltou. As indústrias receberam incentivos, enquanto os pequenos e médios empresários e agricultores estão abandonados. Os preços dos carros fabricados aqui são iguais aos praticados na Europa mas, os salários pagos não são.
O petista ressaltou que nos últimos quatro anos, o município passou de 150 mil para mais de 200 mil habitantes. Os serviços prestados, na saúde e educação por exemplo, não tiveram o mesmo crescimento e a população está passando por dificuldades, aponta.
José Augusto Dalgut, representante do PST, também não aprova a industrialização. Cabe ao atual prefeito de São José responder sobre isso. A geração de empregos foi maior nas empresas satélites do que nas indústrias de automóveis, já que elas exigiam uma mão-de-obra diferenciada. É fato também que São José dos Pinhais não se preparou para atender a um previsível aumento na demanda do atendimento nas escolas, creches e na área hospitalar, pondera.
Ao contrário dos adversários, o prefeito aborda apenas os aspectos bons na mudança de perfil econômico da cidade. Graças à política de industrialização e à visão estratégica do governo do Paraná, conseguimos a maior fatia dos recursos estaduais. Isso foi uma constante na nossa administração, avalia.
Sobre as críticas da oposição, que explora o lado negativo da atração de indústrias, Setim diz ainda que o grande desafio do prefeito do município será o de compatibilizar o desenvolvimento industrial e a qualidade de vida. Temos problemas sociais como qualquer outra cidade do Brasil. Acho inclusive que os índices de desemprego, falta de segurança e de escolas, e problemas de saúde, por exemplo, estão abaixo da média nacional, contabiliza.(Colaborou Rubens Burigo Neto)


