São Paulo - No encontro organizado pelo jornal ''O Estado de S.Paulo'', o presidente do PT, José Eduardo Dutra, e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, se esforçaram para expor as diferenças no ideário político e no estilo de agir entre PT e PSDB, os dois partidos mais influentes do País. Ao final de duas horas de debate, porém, era quase inevitável a sensação de que os dois são mais parecidos do que se supõe.
Já na apresentação, o tucano e o petista se aproximaram ao lembrar sua presença na luta pela redemocratização. Os dois também manifestaram confiança na continuidade do amadurecimento democrático e declararam que são contrários ao radicalismo político. ''O povo não é radical'', disse o senador Guerra.
Mais adiante reconheceram as fragilidades do sistema, especialmente a dificuldades das relações entre a Presidência e o Congresso - movidas por um sistema de trocas tão avassalador que leva o partido a votar contra suas próprias convicções. Ou, como admitiu o ex-senador Dutra, sem ser contestado, a agir de maneira ''incoerente''.
A cada momento que um apontava uma falha no outro, ou reclamava para si alguma virtude, o outro tinha um contraponto à mão. Guerra acusou o governo petista por não ter feito a reforma política quando tinha força para isso, no início do primeiro mandato de Lula. E Guerra perguntou porque Fernando Henrique Cardoso não a fez.
No capítulo sobre política externa, o senador pernambucano acusou o governo Lula de se aproximar de governos totalitários, que menosprezam os direitos humanos, citando de maneira específica o caso de Cuba. O presidente do PT já estava com a resposta pronta: Fernando Henrique apoiou o terceiro mandato de Alberto Fujimori - presidente peruano que mais tarde seria condenado a vinte e cinco anos de prisão por atos de corrupção e violação de direitos humanos.
Na área econômica, Dutra, que fez carreira sindical antes de dedicar à política, exaltou a forma como o governo Lula enfrentou a crise econômica que paralisou o mundo no ano passado. Seu oponente recordou que isso não teria sido possível se Fernando Henrique não tivesse modernizado o aparato do Estado. ''Os fundamentos estavam lá atrás'', disse.

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