Debate quente anuncia corrida desatada por votos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
José Lazaro Jr. <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - Sem medo de chocar os eleitores da capital, Gustavo Fruet (PDT) e Ratinho Júnior (PSC) trocaram acusações no primeiro debate deste segundo turno. Com ambos concordando que os principais temas em Curitiba são a falta de segurança pública e a baixa qualidade do sistema de saúde, tanto um como o outro não hesitaram em ''meter a família no meio'', revelando que a estratégia de campanha nessa reta final é não deixar o jogo esfriar. A briga foi transmitida ao vivo para Londrina, pela TV Tarobá.
Ainda no início do debate, Ratinho Júnior chamou Eleonora Fruet, irmã do pedetista, de incompetente. Ela foi secretária municipal de Educação durante três anos e meio, deixando o cargo em dezembro de 2010, já na gestão Luciano Ducci (PSB). Referindo-se ao deficit crônico no número de vagas nas creches públicas da capital, Ratinho disse que ela não soube enfrentar o problema. ''Gustavo, se em três anos e meio vocês não tiveram competência para fazer isso, você quer mais 4 anos agora?'', indagou o político do PSC.
Em tom pessoal, Gustavo pediu mais respeito com a sua irmã e usou dados para afirmar que o investimento na área da Educação aumentou durante o período em que Eleonora Fruet dirigiu a secretaria. Testando a capacidade de o adversário resistir aos ataques, Ratinho partiu para outro tema polêmico. ''Covardia é fazer panfleto apócrifo, na calada da noite como foi feito na tua campanha contra mim. Fazendo panfleto criminoso contra a minha pessoa, denegrindo a imagem da minha família'', esbravejou.
Durante o primeiro turno, vários panfletos ''fajutos'' foram distribuídos em Curitiba, na tentativa de vincular determinadas candidaturas a práticas ilegais. O caso citado por Ratinho Júnior envolve gravações em vídeo de políticos supostamente associados à campanha de Fruet encomendando as peças numa gráfica de Curitiba. A Justiça Eleitoral não puniu a candidatura do PDT, bem sucedida em provar que houve montagem na fita apreendida pela Polícia Federal. ''Se você não tem capacidade para coordenar a equipe de campanha, como vai comandar uma prefeitura?'', provocou Ratinho.
''Não tenho compromisso com aloprados'', devolveu Gustavo, negando a autoria do material. Numa demonstração de que não aceitaria ser acuado pelo rival, o ex-tucano emendou a réplica. Insinuou que Ratinho usava o mandato como deputado federal a fim de obter vantagens para as emissoras de rádio e televisão da família. Textualmente, Gustavo disse que ''não voltou de Brasília com concessão de rádio e TV''. Nesse ponto o debate deu um nó, com um dizendo que o outro mudou de posição com relação ao Partido dos Trabalhadores.
Próximo da ebulição, o programa de TV resfriou subitamente. No terceiro e quarto blocos esses temas não voltaram ao palco do debate, com Gustavo e Ratinho cumprindo a agenda básica de assuntos. Em determinado ponto, chegaram a discutir sobre o calçamento da cidade.
Ibope
Pesquisa Ibope divulgada ontem confirma a inversão na preferência do eleitorado, com Gustavo Fruet registrando 49% das intenções de voto e Ratinho Júnior 39%. No primeiro turno, o candidato do PSC liderou a maior parte do tempo, mas previa uma disputa contra Luciano Ducci (PSB), atual prefeito, que perdeu a vaga para Gustavo por apenas quatro mil votos.
A pesquisa foi encomendada pela RPC-TV. Foram ouvidas 1.001 pessoas, de 17 a 19 de outubro. 7% disseram estar indecisos, 5% que votariam em branco. A margem de erro é de 3%, para mais ou para menos. Novo debate será realizado na segunda-feira, na emissora Record.


