A temperatura subiu ontem de manhã durante um debate entre os candidatos a prefeito de Londrina. O encontro durou uma hora e meia e foi realizado no auditório do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA), no câmpus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), numa promoção do Sindicato dos Professores (Sindiprol), Associação de Docentes da UEL (Aduel), Diretório Central dos Estudantes (DCE), Centro Acadêmico de Direito e Associação Nacional de Estudantes de Pós-Graduação.
Cerca de 300 pessoas, a maioria estudantes universitários, lotaram o auditório da UEL. Assim que o microfone foi aberto, uma sucessão de perguntas ‘‘ácidas’’ foi disparada em direção aos candidatos. Farage Kouri (PFL) e Barbosa Neto (PDT) foram os mais visados – e vaiados. O tucano Luiz Carlos Hauly também recebeu cobranças e alternou vaias e aplausos.
A platéia mostrou maior simpatia – ou torcida – a Luiz Eduardo Cheida (PMDB), embora em alguns momentos também tenha sido criticado. O petista Nedson Micheleti saiu ileso: único a não ser vaiado, recebeu aplausos a cada resposta, mas foi o menos questionado.
A primeira vaia ‘‘sonora’’ aconteceu nas considerações iniciais, quando Farage defendeu o governo estadual e lembrou que a UEL é considerada a quarta melhor universidade do País. Devia ter evitado o comentário: a maioria dos presentes reclama de falta de atenção do governador Jaime Lerner (PFL) ao ensino superior.
Já Hauly foi alvo dos primeiros ‘‘petardos’’. Um aluno questionou se a política de empregos que ele pretende implantar é parecida com o que a campanha tucana tem feito na cidade, contratando cabos eleitorais para segurar cartazes do candidato na rua. ‘‘Esse tipo de candidato merece voto?’’, perguntou o estudante, aplaudido. Hauly contornou a crítica lembrando que lutou por mais de 20 anos contra a ditadura.
O tucano voltou a ser criticado por um outro estudante que questionou sua atuação parlamentar na área de ensino superior. Na réplica, Hauly foi informado que o estudante é filho de Assad Jannani (PPB), vice de Barbosa, e sobrinho do deputado federal José Janene (PPB). ‘‘Mas ele (Janene) também poderia ter ajudado muito a universidade’’, respondeu, muito aplaudido.
‘‘Mas como pode ser beneficiada com seu governo se a universidade já está sendo sucateada?’’, perguntou outro aluno a Farage – lembrando que ele é do mesmo partido de Lerner e do prefeito cassado Antonio Belinati. Mais aplausos. Farage disse que as questões que envolvem Belinati devem ser tratadas pela Justiça.
Barbosa Neto passou o primeiro grande ‘‘aperto’’ em seguida. ‘‘Tem uma coisa parecida entre Barbosa e Farage: Belinati e Assad Jannani’’, disse um aluno – lembrando que o seu vice participou do governo de Belinati. Barbosa respondeu defendendo o vice, mas não convenceu a platéia.
No final da tarde, os candidatos voltaram a se encontrar no salão nobre da prefeitura, em debate promovido pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv).

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