Debate na TV põe fogo na corrida ao Senado
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Catarina Scortecci<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Diferente do tom morno que prevaleceu no primeiro debate na TV dos candidatos ao governo do Estado, o encontro dos postulantes ao Senado na noite de quinta-feira, também no canal da Bandeirantes, colocou fogo nas eleições. Sobrou até para o senador Alvaro Dias (PSDB), que não está na disputa, mas foi lembrado pelo candidato do PSOL, Luiz Piva, em função do conhecido conflito de 30 de agosto de 1988 entre professores e Polícia Militar, em frente ao Palácio Iguaçu. ''Tire ele (Alvaro Dias) da sua propaganda eleitoral. Estou te dando essa dica. Fica de graça'', provocou Piva ao candidato Gustavo Fruet (PSDB). O programa contou com a participação de seis dos 12 candidatos ao Senado. Um novo debate está sendo organizado com os ausentes da primeira rodada.
O debate começou a esquentar no terceiro bloco, quando os candidatos faziam perguntas entre eles. Fruet mirou o candidato do PMDB, Roberto Requião, ao questioná-lo sobre a briga com Paulo Bernardo (PT), que é marido de Gleisi Hoffmann (PT), candidata ao Senado na mesma chapa do peemedebista. Requião havia declarado em fevereiro que o petista propôs um valor superfaturado à uma obra ferroviária para o Paraná. A afirmação rendeu até uma ação por danos morais, movida pelo petista.
Ao responder, Requião primeiro atacou: a crítica de Fruet ao setor agrícola no Estado, que teria perdido força nos últimos anos, foi chamada de ''bobagem monumental'', fruto de ''desinformação'' do tucano, segundo ele. Depois, sobre Paulo Bernardo, Requião amenizou o episódio, falando apenas sobre ''divergências'' de preços.
Mas as alfinetadas continuaram: para Fruet, o Paraná se perdeu ''em conflitos pessoais''. Ainda em referência à personalidade de Requião, o tucano ressaltou que era preciso ter ''firmeza'', mas ''sem ofensa pessoal''. Na tréplica, Requião rebateu: ''não é com conversa mole que vamos defender os interesses do Paraná''.
Mais tarde, Fruet também tentou rebater o discurso da continuidade, alegando que não adiantaria comparar FHC e Lula: ''Temos que olhar para frente'', disse ele, argumentando que o Plano Real garantiu a estabilidade necessária para a implantação de programas sociais.
Primeiro nas pesquisas de intenção de voto, Requião também foi alvo de Luiz Piva (PSOL). ''A área da educação ganhou pontos sim, mas nós estamos jogando na quarta divisão'', disse Piva, lembrando em seguida da polêmica Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida por Requião contra o piso nacional dos professores. Requião chegou a pedir direito de resposta à produção do debate, mas a solicitação não foi acatada. No último bloco, já nas considerações finais, Requião explicou que entrou com a ADI porque acreditava que ela provocaria a redução dos salários dos professores do Paraná, que já receberiam, segundo ele, acima do piso nacional proposto.
Piva também cutucou o candidato do PP, Ricardo Barros, por conta da condenação por improbidade administrativa sofrida pelo pepista. ''Quero parabenizá-lo porque vi hoje que sua candidatura finalmente foi deferida'', provocou o candidato do PSOL. ''Minha condenação foi revisada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e não impede minha candidatura'', respondeu Barros. Integrante da chapa que sustenta Beto Richa (PSDB) ao governo do Estado, Barros também usou o debate para falar de ''ineficiência'' do Porto de Paranaguá e de ''defasagem da Polícia Civil''.


