Debate na TV aquece disputa por vaga no segundo turno
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sexta-feira, 29 de setembro de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
A última cartada dos candidatos a prefeito de Londrina para conquistar o voto do eleitor foi dada na noite de anteontem, em debate promovido pela TV Coroados (Rede Globo). Com a segunda vaga para o segundo turno indefinida, como mostrou a Pesquisa Folha divulgada na quarta-feira, os concorrentes encararam o encontro como a oportunidade derradeira de conquistar a confiança dos indecisos.
O debate foi mediado pela jornalista Sônia Bridi, de São Paulo. Já no início, os candidatos passaram por um aperto, quando foi questionado a renda e o patrimônio pessoal de cada um. Os cinco, alguns constrangidos, foram listando os bens que possuem. Luiz Eduardo Cheida (PMDB) aproveitou para mostrar as duas carteiras de trabalho, holerites e declaração de Imposto de Renda. Tenho um Gol mil, destacou. Minha renda é de R$ 40 mil por mês, completou Farage Kouri (PFL).
O clima esquentou a partir do segundo bloco. Cheida adotou o estilo agressivo, atacando Luiz Carlos Hauly (PSDB) indiretamente, com questões dirigidas a outros candidatos. Exemplo: quando perguntou a opinião de Farage sobre quem não comparece a debates no início da semana, o tucano faltou a um encontro na TV Tropical (CNT). Hauly (que lidera as pesquisas) também usou a mesma estratégia, questionando Nedson Micheleti (PT) sobre atrasos de salários como ocorreu no final da administração de Cheida na prefeitura.
O momento mais picante do debate foi protagonizado por Farage: Você tem dito que quer ver Londrina com a sua cara. Você acha que Londrina tem a mesma cara de uma pessoa que tem vários processos na Justiça?, perguntou a Homero Barbosa (PDT). Não acredito numa pessoa que invade a casa de uma viúva aposentada, que humilha uma pessoa porque é homossexual, não paga pensão, chama a mãe de seu filho de prostituta, que matou uma pessoa em acidente, listou, sem pestanejar.
Nos 30 segundos da tréplica, Barbosa só conseguiu dizer que o filho mora com ele (portanto não é preciso que pague pensão) e que sofreu um acidente de trânsito onde morreu uma pessoa. Não matei ninguém, protestou, abatido. Depois, ele disse que sua assessoria jurídica já tinha sido acionada para processar Farage.
Nedson novamente adotou o estilo light. E se saiu bem quando tentou ser atingido por Hauly. O tucano questionou sobre a importância da experiência para administrar uma cidade quebrada como Londrina. O petista destacou que não basta ser técnico para administrar, mas é preciso ter sensibilidade social. A administração não pode ser voltada apenas para o fluxo de caixa.
Na tréplica, Nedson bateu de novo. Lembrou que a última geada na região atingiu mais de 2 mil famílias, mas ninguém recebeu apoio do governo federal de quem Hauly foi vice-líder na Câmara Federal. O governo prefere dar mais de R$ 80 bilhões para bancos falidos do que para o agricultor, aproveitou-se Cheida. E tem gente que fica contente em dizer que é vice-líder do governo.
Do estúdio, a disputa prosseguiu do lado de fora da TV, com a tradicional guerra entre torcidas. Alguns mais exaltados chegaram a trocar bandeiradas, sob o olhar curioso dos travestis que fazem ponto no local. Ninguém ficou ferido.


