Além de alegar que eventuais repasses financeiros de assessores a ele poderiam ser, na realidade, pagamento de dívidas pessoais - contraídas a esmo, ''sem juros, pois não sou agiota'', definiu -, com a condição única de que não se acumulassem, o vereador Paulo Arildo (PSDB) resolveu adotar também a frente político-eleitoral para se defender das declarações de que ficaria com parte do salário de funcionários de seu gabinete entre os anos de 2005 e 2006.
Para tal, citou, de início indiretamente, o fato de Paulo César Brito e Edson Baratto serem parceiros em uma empresa de promoção de eventos do empresário Marco Cito, filiado ao PDT, e, como Arildo, também ligado ao movimento da Renovação Carismática Católica (RCC). ''Não tenho mágoa, sou uma pessoa cristã, só não entendo por que fizeram isso comigo. O próprio Paulo foi trabalhar com o Marco dizendo que usava o CNPJ da empresa dele - perguntei a ele como podia trabalhar para uma pessoa que é (pré) candidata e trabalhar aqui no gabinete, isso não seria confuso?'' Um pouco antes, na coletiva, classificara a situação pela qual vem passando: ''Hoje fazemos muitos trabalhos sociais e de evangelização, e nesse meio existem outras pessoas que querem se candidatar e sairem candidatos a vereador. O que ocorreu foi isso''. No depoimento ao Gaeco, reforçou que os dois ex-funcionários trabalham com Cito, ao apóiam - fato ilustrado com fotos de site de coluna social de um evento recém-promovido pela empresa deles, a Inovação.
À noite, Arildo ligou para a FOLHA e informou que hoje apresentará ao Gaeco comprovantes de dois empréstimos que os dois ex-assesores teriam contraído de forma consignada em folha, na Câmara, em 2006 (um de 12 parcelas de R$ 286,35, de Brito, e um de 24 parcelas de R$ 289,79, de Baratto), com ele como avalista. ''Mas a assinatura de vereador não é minha, vou pedir exame grafotécnico'', afirmou. Dois anos depois? ''É que é cargo de confiança e só agora vou fazer esse levantamento mais detalhado, né?''
Cito reagiu às declarações. ''O que soube dessa investigação foi pela imprensa. Acho lamentável que liguem um movimento da Igreja a essas definições partidárias'', disse. Baratto não atendeu o telefone. Brito disse apenas que ''fui intimado, não fui denunciante nesse'', resumiu. (J.G.)

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