O debate na Câmara Municipal sobre o Projeto de Lei que visa a proibição de atividades pedagógicas que concordem com a teoria que ficou conhecida como "identidade de gênero" nas redes pública e particular de ensino em Londrina contou com a presença de 30 pessoas, a maioria contrárias à matéria. Em reunião pública conjunta das comissões de Defesa dos Direitos do Nascituro, da Criança, do Adolescente e da Juventude, Comissão de Direitos Humanos e Defesa da Cidadania e de Educação, Cultura e Desporto pelo menos cinco pessoas puderam falar além do único presente a defender o PL, o vereador Filipe Barros (PSL), que assina a matéria ao lado de Ailton Nantes (PP), Junior Santos Rosa (PSD), José Roque Neto (PR), Vilson Bittencourt (PSB), João Martins (PSL) e Felipe Prochet (PSD).

A pós-doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina, Lara Facioli, que estuda o tema há 12 anos, questionou informações apresentadas no PL. A principal foi o argumento de que a teoria da Identidade de Gênero é considerada nociva até mesmo pela Associação Americana de Pediatria. Lara explicou que esta associação conta com 64 mil profissionais e, na verdade, apenas um grupo menor, que seria ligado a igrejas extremistas dos Estados Unidos, é que são contra a ideia, não representando um pensamento único entre os pediatras estadunidenses.

Questionado pela FOLHA se a informação contida no projeto estaria sendo usada de forma inverídica, o autor do projeto, o vereador e pré-candidato a deputado federal Filipe Barros (PSL) disse que a afirmação da pós-doutoranda "não fazia sentido algum".

"É óbvio que nas discussões internas da associação de pediatras deve haver aqueles que concordam e aqueles que discordam, o fato é que a associação tomou uma deliberação, provavelmente pela maioria dos seus membros, eu não estava lá para saber, e a associação de pediatras norte-americanos se posicionou, no próprio site dá pra ver, que a ideologia de gênero é um método de abuso infantil", defendeu.

O estudo citado no PL chama-se "Gender Dysphoria in Children", ou Disforia de Gênero em Crianças, publicado em junho do ano passado pela norte-americana Michele Cretella, da American College of Pediatricians, que é uma associação nacional. O estudo, traduzido em novembro do ano passado, até analisa a efetividade de hormônios no que chama de "redesignação sexual" de adultos e os riscos deste tratamento em crianças.

"A ética, por si só, exige o fim da supressão da puberdade com agonistas do GnRH, hormônios do sexo oposto e cirurgias de redesignação sexual em crianças e adolescentes. O College recomenda a cessação imediata dessas intervenções, e o fim da promoção da ideologia de gênero por meio de currículos escolares e políticas legislativas. A saúde, os currículos escolares e a legislação precisam permanecer ancorados à realidade física."

Entretanto, a reportagem apurou que a "American Academy of Pediatrics", esta não com 64 mil mas 66 mil membros, posiciona-se a favor do conceito. Já a "American College of Pediatricians" foi criada em 2002 e está sediada na Flórida; a "American Academy of Pediatrics" foi criada em 1929.

Tramitação
Até agora o PL recebeu parecer contrário da Secretaria Municipal de Educação e dos Conselhos Municipais de Educação, dos Direitos da Criança e do Adolescente e de Políticas para Juventude. O vereador Amauri Cardoso (PSDB) classificou a reunião como "muito boa". Outros vereadores solicitaram pareceres técnicos, também de entidades como a APP Sindicato, Sinpro (Sindicato dos Profissionais das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná), Sindprol (Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina) e Conselho de Pastores Evangélicos de Londrina.

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