Debate contra Collor: 'Perdemos', disse Lula
São Paulo O repórter apresenta uma versão nova para o tão questionado debate da ''TV Globo'', em 1989, contra o candidato Fernando Collor. Ao sair do estúdio, Lula, arrasado, bateu-lhe a mão no ombro e admitiu: ''Perdemos a eleição. Eu me senti como um lutador sonado''. Apesar disso, por anos, os petistas atribuíram a derrota a uma misteriosa manipulação na edição do debate, na versão apresentada no ''Jornal Nacional'' do dia seguinte, véspera da eleição.
Em várias passagens do livro Kotscho confessa incontida idolatria por Lula, compartilhada por ele com outros petistas encantados com o tratamento reverencial que o líder recebia no exterior requestado por presidentes e ovacionado por platéias. Em Davos, foi ''o primeiro presidente a discursar em língua portuguesa'', diz o autor, sem explicar se a afirmação é um elogio de fundamento nativista ou uma crítica a quem não maneja nenhuma outra língua. De toda forma, para ele, Lula virou uma ''grande estrela da política mundial''.
Nada edificante é o relato de uma recepção oferecida a Lula por Jacques Chirac, em Paris, ao tempo da campanha eleitoral de 2002. Enquanto o anfitrião falava, Lula cochichou a Kotscho: ''Está vendo aquela mulher de chapéu amarelo? Você já viu mulher mais feia na tua vida?''
Amigo dileto de Lula, Kotscho se dá o direito de cutucá-lo com histórias apimentadas, como a tentativa de convencer o candidato petista de 1989 a não usar a palavra ''menas''. Lula contestava o assessor e garantia que a palavra existia, sim. Apesar do relato jocoso, Kotscho se queixa dos jornalistas brasileiros, que foram movidos, durante muito tempo, pela ''pauta fixa'' de coletar gafes de Lula. (C.M./AE)





