Debate com candidatos ao governo não empolga
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segunda-feira, 21 de agosto de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O debate entre candidatos a governador do Paraná, realizado ontem de manhã pelo Sindicato dos Professores da Rede Estadual de Ensino (APP-Sindicato), em Curitiba, não chegou a empolgar os cerca de 300 docentes e servidores de várias partes do Estado presentes para ouvir as propostas na área de Educação Pública e sobre o relacionamento entre o governo e o funcionalismo público. O governador Roberto Requião (PMDB) não compareceu ao debate.
O único que fez referência à ausência de Requião foi o candidato Jorge Luiz Martins (PRP). ''O poderoso governador, que infelizmente não veio, não sei porque, estaria bem na minha esquerda, na linha do meu coração e eu o questionaria para saber por que ele não cumpriu suas promessas com a educação'', ironizou Martins no primeiro bloco, quando cada candidato teve quatro minutos para fazer sua apresentação.
O candidato Osmar Dias (PDT) atribuiu a Requião a dificuldade para reajustar salários. ''Eu não assumo compromisso (de fazer equiparação salarial dos professores) no primeiro ano de mandato porque não terá orçamento aprovado para o ano que vem pelo atual governo, que também já vetou a equiparação salarial'', disse, ao responder à pergunta feita por representantes da APP, comum a todos os candidatos. Ele referia-se ao projeto de lei sobre o reajuste que foi vetado pelo governador.
Rubens Bueno (PPS) deixou as críticas para as considerações finais. ''Um governo que não prioriza a educação, não merece ser reeleito, nem ter segunda época'', disse. ''Esse Estado, que já teve governador que mandou a polícia bater em professor, governador que sucateou a educação, governador que não cumpriu o que prometeu'', discursou, referindo-se a Álvaro Dias (PSDB), Jaime Lerner (PSB) e Requião, respectivamente. Bueno foi aplaudido quando citou a ação da polícia no governo Dias.
Flávio Arns (PT) também mereceu aplausos. ''Não entendo por que um professor ganha R$ 1 mil e outros ganham R$ 2 mil, R$ 3 mil, R$ 4 mil. Se um governo diz que dá prioridade para a Educação, isso prevê prioridade para os profissionais da Educação também'', argumentou.
Lerner (PSB) recebeu críticas tanto dos candidatos como dos participantes que formularam perguntas. Por mais de uma vez seu governo foi criticado pela extinção do Instituto de Previdência do Estado (IPE), que foi substituído pelo Serviço de Atendimento à Saúde (SAS); pela terceirização de serviços; e, assim como o governo Requião, de perseguir os sindicatos de professores (APP) e dos trabalhadores na saúde do Estado (Sindisaúde).


