A maioria dos vereadores londrinenses que vai tentar a reeleição teve evolução do patrimônio nos últimos quatro anos. Pelo menos é o que mostra a declaração de bens de 12 parlamentares que querem continuar na Casa na legislatura entre 2013 e 2016. Conforme a relação, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na internet, a variação ocorre principalmente pela inclusão de novos bens - imóveis, carros, investimentos financeiros.
O vereador que apresentou maior patrimônio foi o médico Roberto Kanashiro (PSDB), campeão também na variação do valor total da declaração, que saltou de aproximadamente R$ 160 mil para R$ 560 mil nestas eleições. Segundo as informações publicadas pelo TSE, ele possuía um terreno e dois carros. Atualmente, a declaração mostra aplicações financeiras e cotas na Unicred Norte do Paraná que passam de R$ 300 mil. Ele não soube explicar a diferença nos valores, alegando que ''é questão de contabilidade, eu apenas assino a declaração que é feita pelo contador''. Kanashiro, que negou ter feito novas aquisições nos últimos anos, estava em viagem e afirmou que, ao retornar, conversaria com o contador, podendo dar mais informações à reportagem.
O segundo lugar em evolução patrimonial pertence ao novato Marcos da Horta (PP) que subiu de R$ 19 mil em 2008 para mais de R$ 370 mil. Ele é comerciante e assumiu na quinta-feira no lugar de Marcelo Belinati (PP). Há quatro anos Marcos declarou possuir uma moto e um carro, mas agora registrou três imóveis, duas motos e dois carros. ''Eu já tinha esses terrenos lá em 2008, mas por não ter as escrituras eu não declarei, mas agora que estou assumindo como vereador achei melhor declarar para evitar questionamentos ao final do mandato'', explicou o pepista.
O pedetista Sebastião dos Metalúrgicos, que aumentou os bens em cerca de R$ 178 mil, também disse que a declaração apresentada à Justiça Eleitoral é elaborada com base no imposto de renda. ''É o que o contador passou.'' Ele afirmou que os bens listados no documento apresentado à Justiça Eleitoral neste ano já foram divididos entre os filhos, ''mas como ainda não foram registrados estão declarados em meu nome''. No caso dele, em dois imóveis houve uma valorização de mais de R$ 150 mil nos últimos quatro anos. ''O contador faz uma revisão anual de todos os bens e pode haver atualizações'', afirmou. Argumento semelhante tem o peemedebista Tito Valle, com evolução de R$ 188 mil, apesar de manter os mesmos bens. ''Mantive o que já tinha (três imóveis e um carro), apenas atualizei os valores.''
Com aumento de R$ 103 mil em seus bens, o vereador Ivo de Bassi (PTB), servidor de carreira da Sercomtel, atribuiu o volume maior à sua aposentadoria. ''Eu me aposentei no ano passado e recebi cerca de R$ 80 mil do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) que eu pude investir'', explicou ele. Mesmo aposentado ele continuou trabalhando e afirmou ter aderido a um plano de demissão incentivada na empresa que lhe gerou mais um benefício financeiro.
José Roque Neto (PR) declarou como seu único bem, em 2008, apenas R$ 100. Na declaração atual ele registrou no TSE um carro no valor de R$ 35 mil. ''Eu estava na primeira campanha e vinha da atuação na Igreja e como padre não tinha bens em meu nome.'' Num breve período, entre a batina e a política, Roque fez outros trabalhos, ''mas não deu para acumular nada, ganhava hoje para comer amanhã''.

Recuo

Entre os cinco parlamentares que apresentaram queda no patrimônio, está Amauri Cardoso (PSDB) que tinha um total de R$ 207 mil, mas, pelo site do TSE, teve recuo para R$ 1,3 mil. Segundo ele, ''deve ter ocorrido algum equívoco, pois não mudou nada da última eleição para essa''. ''Declarei os mesmos bens, uma casa financiada e um carro.'' Cardoso disse que iria providenciar a retificação junto à Justiça Eleitoral.
Roberto da Farmácia do Vivi (PTC) também tem menos bens na atual declaração. Houve redução de R$ 140 mil. O parlamentar explicou que a mudança se deve à venda de veículos. ''Vendi carros que acabaram sendo incorporados à empresa da família'', justificou ele. Mas a situação mais curiosa está na declaração de Rodrigo Gouvêa (PTC). Ele está zerado. Não tinha bens a declarar em 2008 e continua sem posses no atual registro. ''Realmente não comprei nada nesse período, afinal é um salário de R$ 4 mil (livre), você pensa que é fácil?'', questionou ele. Sobre o carro que utiliza, ele informou que está no nome do pai.

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