Se a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina se vangloria de ser hoje uma das principais em toda a América Latina, o município de Umuarama, no Noroeste do Estado, não fica por menos na comemoração: maior berço do gado leiteiro e de corte no Paraná, é de lá que vem boa parte dos animais que são vedetes em leilões às vezes milionários. O município contabiliza 1,5 milhão de cabeças de gado, além de ser também referência na produção de grãos.
A mudança de administração municipal deve causar modificações capazes de expandir a economia agrícola local, se possível, para o mercado externo. É o que promete, ainda para 2005, o prefeito Luiz Renato Ribeiro de Azevedo (PPS). De acordo com ele, a meta para este primeiro ano de mandato é investir ''tudo o que for possível'' na transformação de Umuarama em um grande centro de agronegócios. ''Criaremos uma central de abates, em parceria com pecuaristas, para que a produção possa ser também exportada'', afirmou. ''Se investirmos na melhoria do plantel e na idustrialização dos derivados da carne, agregaremos mais valor à nossa economia.''
A localização do município no mapa do Paraná até favorece a estratégia de vendas externas, já que ele está próximo tanto das pontes rodoviárias de Guaíra-Mundo Novo e de Porto Camargo (que fazem a ligação à região Centro-Oeste do País, ao Paraguai e à Argentina) quanto da estrada Boiadeira, que tem um trecho ainda a ser asfaltado.
Os quase R$ 800 mil de empenhos deixados pela última gestão não devem afetar o plano mais ambicioso para este ano: o pólo de derivados do couro, iniciativa para a qual, segundo o prefeito, já existem 20 empresários interessados. Com um deles, por sinal, as ''conversações avançadas'' devem se materializar ainda este mês. ''É um profissional do Rio Grande do Sul disposto a investir aqui, mas também há gente do Paraná e de São Paulo para a empreitada'', comentou Azevedo. Contudo, o chefe do Executivo umuaramense admite que a ação toda é tarefa para os quatros de governo, não só para este. ''O importante é que já temos um projeto de viabilidade econômica e o terreno para ceder como incentivo'', avisou. ''Casamos as duas coisas: geração de trabalho e renda''.
Segundo o prefeito, os incentivos deste ano não vão ficar restritos ao grande ou ao médio empresário. Isso porque, continua, Umuarama é marcada não só pelas grandes e caras lavouras de soja, como também pela agricultura familiar. ''Já falamos com a Associação de Produtores Rurais, e ela nos apresentou um plano de desenvolvimento sustentável'', disse. E o que vai ser efetivamente posto em prática? ''Vamos dar assistência técnica a esse pequeno produtor e fornecer implementos e equipamntos em comodato'', antecipou.
A prioridade na agropecuária e na industrialização deve minar, ao menos este ano, a atenção a outros setores, como o de obras. A exceção é o ginásio poliesportivo não concluído, cujas obras têm previsão de recomeçar este mês. A verba de R$ 605 mil veio da União. Já a contenção de gastos parece ter tido início imediato: dos 19 cargos de secretário, apenas sete receberam nomeações. ''Além de direcionar o dinheiro economizado para investimento, o trabalho fica mais integrado, mais político'', justificou o prefeito.
* Amanhã, confira a situação em Bela Vista do Paraíso.

mockup