DE OLHO NOS PREFEITOS - Sem projetos, Cascavel aposta em 'surpresa'
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Passados um mês da posse e três da eleição ocorrida em outubro, o novo prefeito de Cascavel (Oeste do Estado), Lísias de Araújo Tomé (PPS), prefere ''continuar tomando pé'' da situação antes de falar em qualquer projeto para a cidade em seu primeiro ano de mandato. Não por medo dos empenhos de R$ 3,5 milhões a serem pagos, já que ao contrário de boa parte dos municípios paranaenses a administração passada deixou R$ 4 milhões em caixa. ''Meu medo é gerar uma falsa expectativa caso faltem recursos. Além do mais, o que tenho para Cascavel é surpresa'', disse, evasivo.
A ''surpresa'' a que Tomé se refere é um dos poucos empreendimentos prometidos para os próximos 12 meses. O único ponto adiantado pelo prefeito é que a iniciativa, por enquanto, está materializada somente na forma de projeto de lei a ser encaminhado aos vereadores mês que vem, no fim do recesso do Legislativo. Além disso, continuou, ela está relacionada aos setores de assistência social, esportes, educação e geração de emprego e será voltada à periferia. ''Vai ser algo grande, só isso que posso dizer'', desconversou.
Apesar da aparente falta de projetos concretos, o novo chefe do Executivo cascavelense garante que está tranquilo para agir. De acordo com ele, uma das razões para isso é a confiança no secretariado, escolhido logo após o definição do pleito. Outro motivo para a suposta serenidade não envolve recurso financeiro, mas de argumentação: '''Desarmamos' os médicos, enfermeiros e dentistas do município, que vinham de uma greve. Sem diálogo, é difícil a gente resolver o caos que está hoje na saúde'', declara o médico e ex-secretário muncipal de Saúde de Cascavel (1997 a 2000).
A categoria estava descontente com os R$ 1,4 mil de salário por quatro horas diárias de trabalho fixo nos postos. Verbal, o acerto acabou não mexendo em cifras. ''Propusemos que cada um fizesse de 16 a 20 atendimentos diários, pelo mesmo salário mas com horário mais flexível'', explicou Tomé, referindo-se à possibilidade de as horas que sobrarem irem a um banco a ser usado quando a Prefeitura julgar necessário. ''Isso pode implicar em atendimentos no lar de idosos ou no abrigo de mulheres violentadas'', complementou.


