DE OLHO NOS PREFEITOS - Mesmo com dívida, prefeito quer reduzir tarifa
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Muito se falou de Maringá (Noroeste do Estado), no período eleitoral, como sendo uma das maiores cidades paranaenses em termos de eleitorado com seus 219.200 votantes, perde hoje apenas para Curitiba e Londrina. Além do mais, a Cidade Canção era também uma das quatro grandes onde o PT disputava a Prefeitura, ou uma das três, junto à vizinha londrinense e a Ponta Grossa, onde o grupo político do presidente da República concorria à sonhada reeleição.
Quase três meses depois do segundo turno do pleito, Maringá tem hoje o status de cidade cuja dívida empenhada deixada pela gestão anterior é uma das maiores entre os municípios paranaenses. De acordo com o novo prefeito, o engenheiro civil Sílvio Barros (PP), 48, são pelo menos R$ 40 milhões de débito com fornecedores e prestadores de serviços, além do salário de dezembro devido aos mais de 7 mil servidores públicos municipais. O orçamento votado para este ano está na casa dos R$ 309 milhões.
Segundo Barros, pelo período de 60 dias, ninguém à exceção dos servidores deve receber pagamento, até que se verifique ''a legalidade de todas as contas deixadas'' e a ''prioridade a ser dada a cada uma delas''. O prefeito cita ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). ''Em 2001 e 2002, as prestações de contas de Maringá foram desaprovadas. As de 2003 ainda não foram analisadas, e, do ano passado, somente as do primeiro bimestre foram vistas'', declarou.
O novo secretário de Governo, José Buzato, contou que a maior parte do empenho está na área de saúde, com R$ 10 milhões a serem pagos a serviços em hospitais. ''As contas telefônicas de órgãos do Executivo não são pagas desde março do ano passado e já somam quase R$ 1 milhão'', complementou o secretário, conforme o qual, semana passada, cada servidor recebeu R$ 300. ''Semana que vem, pagamos mais uma parcela de dezembro'', avisou.
Respectivamente filho e irmão dos ex-prefeitos Sílvio e Ricardo Barros, o atual garante, por sua vez, que o panorama com o qual diz ter se deparado, quando da posse, não deve afetar os planos para 2005. Em outras palavras: a suposta dívida deixada pelo prefeito anterior, João Ivo Caleffi (PT), não pode servir de argumento para que a população deixe de cobrar ações da atual administração.
Uma dessas iniciativas a serem lembradas ao fim destes 12 meses é justamente a principal promessa de campanha de Barros. Trata-se da redução da tarifa do transporte coletivo, hoje em R$ 1,65, mas com a ''garantia'' de queda de 18%, oferecida pelo novo chefe do Executivo. ''Formamos uma comissão para avaliar essa redução do preço em dezembro, e ela tem, desde então, um prazo de 90 dias para me apresentar uma solução'', afirmou o prefeito. Ele não explica, contudo, de que forma compensará a queda na arrecadação dos cofres públicos, caso a tarifa caia. ''Só sei que os demais impostos não serão aumentados'', desconversou.
Em relação ao assunto, Barros preferiu lembrar que a estratégia inicial deve ser a análise de quem, de fato, é beneficiário do passe livre e tem direito a ele. Uma segunda etapa deve ser o pedido de ajuda ao Governo Federal. ''Vamos pedir apoio ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) pelo transporte, por exemplo, de quem faz cursos profissionalizantes pois hoje essas pessoas pagam'', comentou.
De carona no assunto, e a exemplo da maioria dos prefeitos até agora ouvidos pela Folha, o de Maringá é enfático em afirmar que também em 2005 deve agir pela criação de empregos e pela profissionalização da mão-de-obra hoje existente. ''Vou implantar o Centro de Qualificação Profissional e Geração de Renda. A intenção é levá-lo a 30 bairros: a seis, este ano'', disse. Verbas para isso? ''Existem barracões da prefeitura cedidos a associações. Creio que elas terão interesse na empreitada'', aposta. Ele salienta que a idéia já ganhou um parceiro: ''O Sindicato do Vestuário vai nos ceder 500 máquinas industriais para formarmos gente qualificada para ele'', citou.


