DE OLHO NOS PREFEITOS - Maquinário sucateado vira desculpa em Tamarana
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sábado, 15 de janeiro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
''A população não precisa esperar muito, não''. A frase dita ontem pelo prefeito de Tamarana (62 km ao sul de Londrina), Beto Siena (PFL), reflete exatamente o que o morador pode esperar da nova administração para 2005: pouca ou nenhuma obra, sem expectativa para que algum 'milagre' financeiro aconteça. A declaração desalentadora complementa a cena apresentada ontem de manhã à população: caminhões, tratores e maquinário em mau estado de conservação ou sucateados, expostos na praça central da cidade.
Presenciada por uns poucos curiosos e pela imprensa, chamada ao local, a iniciativa teria como intenção, em primeira instância, ''mostrar às pessoas a situação em que está a Prefeitura''. Em segunda, o que se pode esperar pelos próximos 12 meses: ''Às vezes querem que a gente resolva tudo de imediato, mas é preciso ser tolerante'', definiu o prefeito. E, ao que tudo indica, tolerância deverá ser o lema este ano em Tamarana, tanto a quem espera por obras em setores como educação e geração de empregos, quanto a quem é fornecedor ou prestador de serviço e tem contas a receber do município.
''Só para a Sercomtel, devemos R$ 125 mil por seis meses de atraso. À Copel são outros R$ 37 mil, mais R$ 59 mil à Sanepar, e por aí vai'', citou o recém-empossado diretor de Finanças da Prefeitura, Cleudemir Catai. De acordo com ele, a gestão atual vai pedir ao ex-prefeito Paulo Nakaoka (PMDB) explicações sobre ligações feitas para os Estados Unidos, para o Criança Esperança, da Rede Globo, e para estados como Amazonas e e Goiânia. ''Já pedimos um detalhamento dessas contas. Depois, encaminhamos isso ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público'', adiantou Catai.
Mesmo tendo adotado o discurso da tolerância, Siena garante que o setor de saúde deve ser um dos poucos contemplados em 2005. Para isso, afirmou, já foram contratados seis médicos para atuar no Hospital Municipal; três deles da cidade. ''Antes era esquema de rodízio, agora, com gente daqui, fica mais fácil agendarmos pequenas cirurgias ou consultas especializadas que antes só eram feitas em Londrina'', disse.
Outra importante demanda do tamaranense ainda mais que a economia da cidade é essencialmente agrícola , a manutenção das estradas rurais vai depender de emendas parlamentares que tragam recursos para isso. ''Estamos atrás de recursos, porque o município não tem dinheiro para o serviço'', resumiu. As políticas de geração de emprego também não devem ser o atrativo de 2005. ''Esse é nosso desafio, mas por enquanto a vinda de empresas não passa de rumores'', desconversou.
O ex-prefeito Paulo Nakaoka disse desconhecer qualquer ligação telefônica feita da Prefeitura para o exterior, nos dois últimos anos. ''No começo da minha gestão, uma funcionária ligou para os EUA, mas logo foi afastada'', comentou. Sobre as dívidas deixadas, foi taxativo: ''Peguei com R$ 800 mil de empenho quando assumi (do ex-prefeito Edson Siena, falecido pai do atual). Além do que, a União diminiu em 2004 o repasse do Fundo de Participação dos Municípios para nós'', justificou.


