De um lado, a fama de calorenta e de berço de confusões na Ponte da Amizade entre sacoleiros e fiscais da Receita. De outro, a perspectiva de se tornar, ainda este ano, cidade dos sonhos no Paraná e, por que não, em todo o Sul do Brasil.
Nem um pouco modesta, a intenção é do novo prefeito de Foz do Iguaçu (extremo Oeste do Estado), Paulo Mac Donald (PDT), e sintetiza bem a ambiciosa meta que se expõe em mínimos dez minutos de conversa. Em um tempo bem maior que esse, porém, o ex-vereador e ex-vice-prefeito falou à Folha usando números e prazos bem definidos para traçar o que ele considera uma ''revolução'' na vida da cidade já para esses próximos 12 meses. ''O tanto que podemos avançar é infinito'', diz, tão afiado quanto amplo.
Ao contrário de boa parte dos prefeitos do Paraná, o pedetista garante que os empenhos devidos a prestadores de serviços e fornecedores não vão minar o investimento em setores como saúde, construção civil, turismo e, principalmente, geração de empregos. Para isso, ele aposta nos quase R$ 160 milhões de dívida ativa do município para permutá-la por terrenos. É nessas áreas cuja cessão depende primeiro da concordância dos devedores que Mac Donald quer iniciar a construção de 1000 casas populares, até junho, no projeto que, segundo ele, já vem bem adiantado. ''A Prefeitura tem já quase todos os terrenos para essas moradias, o restante vem em lotes que pegamos. Se não sair de um jeito, sai de outro'', resume.
Pela geração de novos postos de trabalho, o prefeito lembra dos terrenos a serem usados como incentivo e estabelece a meta de criação de pelo menos 2 mil novos empregos até 2 mil vagas. Parte desse montante, continua, viria de uma indústria de artigos esportivos multinacional. ''É a primeira filial deles no Brasil, são cerca de 1000 empregos diretos'', afirmou. Se já está certa a vinda? ''Posso dizer que são 90% de certeza'', assegurou, salientando que o plano para atrair outros empresários à cidade terá apoio internacional. ''Fomos visitados este mês por membros da embaixada americana. Disseram que vão nos ajudar em um plano de desenvolvimento econômico para a Tríplice Fronteira'', declarou, sem entrar em mais detalhes.
No turismo, a aposta tem sotaque diferente dos paranaenses de Foz, com interesse igualmente distinto em um dos cartões postais do local: as Cataratas do Iguaçu. ''No mês que vem, começamos uma campanha com outdoors pelo interior de São Paulo. Conforme pesquisas, está lá hoje o maior nível de renda dos turistas brasileiros'', apontou.
No rol de promessas a serem cobradas pelo cidadão da fronteira, em dezembro, vem mais uma e no setor que hoje tira o sono de muita gente. Trata-se das patrulhas de bairro, com a meta de garantir mais segurança em parceria com a Guarda Municipal. ''São quatro, ao todo, que entram em ação logo após o carnaval. As equipes vão pegar o infrator, mas também atender a família dele, com um trabalho social junto'', explicou.
Diante do orçamento de R$ 390 milhões previsto para este ano, e ante as demandas antigas e novas, é difícil não associar logo os planos à realização de convênios com o Estado e a União, para verbas complementares, ou mesmo com aumento de arrecadação. Impostos, compromete-se, não serão aumentados. Projetos, por enquanto, estão sendo feitos no papel. O que deve prevalecer, ao menos até que algo mais concreto venha, é o apoio partidário de uma coligação de 18 partidos, pela qual foi eleito. ''Temos um suporte brutal para crescer, mesmo com as dívidas, mas os partidos abrem muitas portas em Curitiba ou em Brasília'', espera. A população também.
* Amanhã: confira a situação em Campo Mourão.

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