A situação em Andirá (36 km ao oeste de Jacarezinho) não é das melhores, mas o prefeito Alarico Abib (PMDB) prefere não comentar o assunto. ''Como todas as prefeituras, está bastante difícil, mas não quero tecer comentário porque já sabia que estava assim'', declarou Abib. Ele disputou a eleição com o ex-prefeito Carlos Kanegusuku (PT), afastado do cargo no dia 21 de outubro por uma ação cautelar emitida pela juíza Vanessa De Biassio Mazzutti, a pedido do Ministério Público (MP).
Quando perdeu as eleições, o ex-prefeito concedeu entrevista à emissora rádio local onde comunicou que cortaria benefícios na área social porque a população não teria ''valorizado o trabalho que ele vinha fazendo''. O MP entendeu a declaração com retaliação ao resultado das urnas e pediu afastamento do prefeito. Além disso, Kanegusuku foi condenado em ação penal no Tribunal de Justiça (TJ) a quatro anos e meio de reclusão em regime semi-aberto por improbidade administrativa (leia nesta página).
O atual prefeito prefere não se prender ao passado recente da cidade. ''Estamos lutando para manter a folha de pagamento em dia e pagar as contas de telefone e energia elétrica'', apontou. Conforme ele, a conta com a Copel chega a R$ 200 mil. Além disso, os primeiros dias de governo foram reservados para a formação do novo secretariado e reuniões com o primeiro escalão para deixar toda a equipe a par da situação do município.
Abib pretende atacar dois pontos principais nesse primeiro ano de mandato: educação e limpeza pública. Ele contou que quer viabilizar verba do próprio município para recuperar os estabelecimentos de ensino e o maquinário para conservação da cidade. Outra meta é construir casas populares. ''Se Deus quiser, em cinco meses eu consigo colocar em pleno funcionamento a saúde, a educação e a construção de casas populares'', projetou.
A construção de uma nova sede para o Fórum do município também está nos planos para 2005. Abib disse que teria uma reunião com representantes do Judiciário para viabilizar um número maior de varas cíveis e criminais na cidade, elevando a comarca para ''intermediária''. O número de varas subiria de uma para duas em ambas as esferas.
Para bancar tudo isso e pagar as contas, o prefeito terá uma verba municipal de R$ 15 milhões anuais, valor baixo para realização de obras. ''Com recursos próprios a prefeitura não pode fazer nada'', lastimou. Abib eliminou três secretarias municipais: comunicação, relações públicas e desenvolvimento econômico. Um conselho formado por empresários locais irá cumprir as obrigações desta última pasta. O trabalho das outras duas será feito por funcionários municipais.
Segundo o prefeito, cerca de mil contribuintes foram inscritos na dívida ativa do município por falta de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). ''Isso criou um problema social porque duplicou o preço e as pessoas não têm condições de pagar'', avaliou. Ocupando o cargo pela terceira vez, Abib terá que administrar os problemas e viabilizar ações. Andirá tem 16.979 eleitores.
A Folha encerra hoje a série ''De Olho nos Prefeitos'', mas continuará acompanhando a situação dos municípios paranaenses em suas edições diárias.

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