Brasília - Durante a reunião do presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, ontem, ele entregou carta informando que o seu partido abdicava dos postos que ocupa no governo federal e que o partido não tem apego a cargos. A presidente Dilma ouviu as ponderações de Campos e disse que "compreendia" as suas razões.

A atitude é uma resposta a recentes ataques do PT e representa o primeiro passo concreto da candidatura presidencial de Eduardo Campos, que deve ser oficializada em março. A decisão foi anunciada após reunião de emergência da Executiva do PSB, realizada em Brasília. O estopim para o desembarque foi a avaliação de que a cúpula do PSB ficaria refém de críticas de fisiologismo. O partido considera que o PT e integrantes do governo Dilma são os responsáveis por alimentar noticiário contra o partido, na linha de que o PSB, apesar de ensaiar a candidatura de Campos, não abria mão dos cargos na Esplanada dos Ministérios.

Mas a expectativa do governo é de poder continuar a contar com os votos do partido no Congresso, no que Campos teria concordado. Dilma demonstrou não ter pressa na substituição dos cargos. Os dois principais postos que o PSB tem no governo são o Ministério da Integração Nacional (Fernando Bezerra Coelho) e a Secretaria de Portos (Leônidas Cristino). O secretário de Portos, por exemplo, está fora do País, em missão oficial, e não será chamado a voltar por causa disso.

De acordo com um interlocutor da presidente, "a vida continua" e não há o que fazer neste momento. No Planalto, a avaliação inicial é que PT não deveria entregar os cargos que possui nos governos do PSB. Em relação a 2014, a disposição de Dilma e Campos, oficialmente, é de não antecipar a campanha eleitoral. O encontro de Dilma com Eduardo Campos durou cerca de uma hora.

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