Curitiba - O governador do Paraná Beto Richa (PSDB) desistiu de esperar o PMDB e ''fatiou'' a reforma do secretariado, antecipando dez mudanças na sua administração. Ontem ele confirmou os nomes dos deputados federais Ratinho Júnior (PSC) e Reinhold Stephanes (PSD) no primeiro escalão, numa manobra para ganhar força política na capital do Paraná. Derrotado por Gustavo Fruet (PDT) na eleição em Curitiba, Ratinho assume a pasta do Desenvolvimento Urbano (Sedu), de onde comandará a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), com influência determinante nas obras de infraestrutura no entorno da cidade.
A indicação de Stephanes para a Casa Civil amplia o espaço do PSD no governo do Paraná, dando mais respaldo político à pasta, antes nas mãos do técnico Luiz Eduardo Sebastiani, movido para a diretoria financeira da Copel. O partido é a quarta potência eleitoral do Paraná, tendo nos seus quadros o prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff, que ainda não deu sinais de ter aderido ao projeto de reeleição de Beto. Na último encontro estadual do PSD, quando os políticos eleitos ano passado estavam reunidos em hotel de Curitiba, o burburinho era por uma candidatura própria nas próximas eleições.
Nos bastidores, comenta-se que a nomeação de Stephanes teria sido uma exigência de Ratinho Júnior, pois ela favorece Marcelo Almeida (PMDB), um dos seus principais coordenadores de campanha e suplente de deputado federal. No lugar do político do PSC, assume o professor Sérgio de Oliveira, cuja base política é na região Oeste. Cézar Silvestri (PPS), antes na Sedu, recebeu a promessa de ocupar a Secretaria de Estado de Governo, cuja criação ainda depende de aprovação dos deputados estaduais. O mesmo expediente foi usado para trazer outro político do PPS, Zé Maria, vereador da capital, que ficará com uma pasta dedicada às pessoas com deficiência. Essa composição devolve à Câmara de Curitiba a filha do deputado federal Rubens Bueno, Renata, suplente da chapa de vereadores.
Fernando Ghignone, presidente do PSDB na capital, deixa a presidência da Sanepar e vai para o comando da Copel, no lugar de Lindolfo Zimmer. Na Companhia de Saneamento, assume temporariamente o diretor administrativo, Antonio Hallage, pois a Sanepar estaria nos planos do PMDB. A dificuldade em ''costurar'' o apoio da bancada de deputados estaduais e do ex-governador Orlando Pessuti, por sinal, alijou a sigla das principais secretarias pretendidas pelos parlamentares. Com a nomeação de Dinorah Portugal para a Administração e de Jorge do Bem para a Paraná Previdência, os peemedebistas ainda sonham com o lugar de Cássio Taniguchi (DEM) no Planejamento. Agricultura e Meio Ambiente seriam soluções tapa-buraco, na opinião dos políticos ouvidos pela FOLHA.
Dinorah ocupava cargo em comissão na Prefeitura de Curitiba, como secretária municipal de Administração, e Jorge do Bem fez parte do grupo que conduziu a reforma do plano de custeio da Paraná Previdência. São mudanças de acomodação dos aliados políticos, assim como a notícia que Ubiraja Shreiber, presidente do PSB de Curitiba, recebeu a Secretaria Especial de Relações com a Comunidade. Ele também fez parte da administração Luciano Ducci (PSB) na capital, onde era secretário de Abastecimento. Na sexta-feira, questionado sobre o porquê da demora na reforma do secretariado (propalada desde novembro), ele disse que precisava de tempo e que as mudanças trariam mais ''sintonia'' para sua administração.

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