De olho em 2010, tucanos querem negociar CPMF
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sábado, 20 de outubro de 2007
Ana Paula Scinocca<BR>Agência Estado 
Brasília - A bancada do PSDB no Senado deixou clara sua disposição em negociar com o governo a prorrogação até 2011 da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A maioria dos senadores do partido mostra que a sigla deve votar pensando no poder. Traduzindo: de olho em 2010, os tucanos se preparam para, se assumirem o Planalto, não ficar de mãos abanando, ou seja, sem os R$ 40 bilhões da arrecadação do imposto. No entanto, vão exigir do governo mudanças na alíquota do tributo e na sua repartição.
Apesar do discurso oposicionista dos líderes tucanos, o grosso da bancada afirma que se o Planalto se comprometer com a redução gradual da alíquota do imposto vota pela prorrogação da CPMF. ''Se o governo dividir imediatamente o imposto com Estados e municípios e se comprometer com uma redução gradativa da alíquota até chegar a zero, voto pela prorrogação'', afirmou o senador Cícero Lucena (PB).
Mesma opinião é compartilhada por outros senadores tucanos. Eduardo Azeredo (MG), por exemplo, considera que o crescimento econômico registrado no País já permite a diminuição da alíquota e afirma que vota pela renovação, desde que fixada uma redução gradual. ''A alíquota de 0,38% foi estabelecida quando a taxa de juros era de 25%, realidade completamente diferente da de hoje.''
O senador Flexa Ribeiro (PA) critica a postura ''onipotente'' do governo Lula, que quer aprovar no Senado a CPMF nos mesmos moldes da Câmara. Mas também defende a repartição do imposto com outros entes da federação.
Lúcia Vânia (GO) também condiciona o estabelecimento de um prazo final para a cobrança do imposto para dar seu voto em favor da renovação da CPMF, e Marisa Serrano (MS) quer o aceno da diminuição de outros tributos para desonerar a carga tributária. Já o senador Papaléo Paes (AP) diz que a única condição para votar pela renovação do imposto é o compromisso do governo de que toda a arrecadação seja direcionada para a área da saúde.
João Tenório (AL) diz não ter uma posição formada, mas sinaliza estar disposto a ouvir a proposta do Planalto. ''Se for seco, do jeito que está, voto contra.'' O senador Marconi Perillo (GO) afirma que até o momento não votaria em favor da renovação da CPMF em nenhuma circunstância. Mas dizendo-se ''homem de diálogo'', colocou-se à disposição para debater com o governo o tema.
Mais radicais, Álvaro Dias (PR) e Mário Couto (PA) não admitem votar em favor da CPMF de maneira nenhuma. ''O governo já cobra imposto demais. E é mentira o que diz a líder do PT (senadora Ideli Salvatti - SC) de que só paga CPMF quem usa cheque. A população brasileira não suporta mais'', afirmou Couto.
O senador paraense adverte ainda que a CPMF foi criada - durante a gestão tucana (de Fernando Henrique Cardoso) no Planalto - ''com a conversa'' de que os tributos seriam destinados à saúde e à segurança. Mas que as duas áreas no País não melhoraram. ''A saúde, inclusive, está bem pior. Não dá para votar junto com o governo'', disse. Couto afirmou também que vai pedir ao PSDB, caso o desejo da maioria seja o de votar pela renovação da CPMF, liberar a bancada para que cada um vote de acordo com sua consciência.


