O presidenciável Tasso Jereissati (PSDB), governador do Ceará, defendeu ontem à tarde um diálogo entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) para superar a crise entre os dois. ‘‘Eles são homens muito importantes para o país e isso é uma responsabilidade muito grande’’, disse o governador. ‘‘Eu sugeriria a eles prudência e que iniciem logo um diálogo.’’
A declaração de Tasso aconteceu um dia depois de ACM afirmar, em entrevista ao jornalista Boris Casoy, da TV Record, que o governador cearense é seu candidato favorito à sucessão de FHC na Presidência da República. ‘‘Foi uma atitude de muita generosidade por parte do senador Antonio Carlos falar isso, mas não sou candidato. Minha única preocupação é com o governo do Ceará.’’
Ele negou divergências com integrantes do PSDB, entre eles o ministro da Saúde, José Serra, outro nome do partido na disputa pela vaga de candidato a presidente. ‘‘Não tenho concorrentes dentro do PSDB, mas companheiros de partido’’, afirmou Tasso. ‘‘Serra está fazendo um excelente trabalho no Ministério da Saúde e eu só tenho motivos para elogiá-lo.’’
O governador falou aos jornalistas quando saía de uma entrevista concedida à TV Verdes Mares, retransmissora da TV Globo no Ceará. Na entrevista dada à emissora de TV, Tasso afirmou que se sente ‘‘órfão’’ com a morte, na semana passada, do governador paulista Mário Covas. ‘‘Foi uma perda muito grande para mim, pessoalmente, porque sempre pautei minha vida política pelo exemplo de Covas’’, disse o governador. ‘‘Para o partido também fica um vazio muito grande.’’
Covas era o principal nome do PSDB a defender Tasso como candidato à Presidência. ‘‘Fiquei muito honrado quando Covas me lançou como candidato porque ele se lembrou do meu nome numa circunstância muito difícil, em que ele estava muito abalado’’, afirmou Tasso. ‘‘Claro que, a partir daí, comecei a conversar sobre o assunto, mas, repito, não sou nem candidato a candidato.’’
Para Tasso, especulações geralmente dão errado. ‘‘Para a eleição de 1994, o Fernando Henrique não era cogitado nem para concorrer ao governo de São Paulo’’, lembrou. ‘‘Na política é assim, não dá para acreditar em previsões.’’

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