De olho em 2002, Gionédis ataca Lerner
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sábado, 26 de maio de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
A saída da Secretaria da Fazenda estimulou a ambição política de Giovani Gionédis, que já foi considerado o secretário mais poderoso do governador Jaime Lerner (PFL). Gionédis foi eleito ontem presidente estadual do Partido Social Cristão (PSC), e desponta como o candidato natural da sigla à sucessão estadual em 2002, apenas dois meses depois de assinar a ficha de filiação.
As metas são ousadas. Gionédis quer fortalecer o partido, de olho no Palácio Iguaçu. Em entrevista à Folha, o ex-secretário antigo aliado de Lerner criticou o inchaço da máquina administrativa estadual. Ele defendeu cortes profundos na estrutura do governo. A máquina tem que ser eficiente e não um elefante branco. Gionédis disse ainda que faltou coragem ao atual governo para levar a cabo o ajuste fiscal, idealizado por ele e por demais integrantes do primeiro escalão que compunham o Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal (Crafe). Faltou coragem para reformas mais sérias. Ficaram empurrando o problema com a barriga, declarou.
Gionédis considera um exagero 29 secretarias, 14 autarquias e sete empresas de economia mista. O ex-secretário preferiu não fixar um número ideal, mas garantiu que essa quantidade é exagerada. O novo presidente do PSC assumiu um discurso voltado à área social. Disse que as prioridades estão na saúde, educação, segurança e geração de empregos. Sei que é um jargão político insistir nesses temas, mas é um discurso que na prática ainda não vimos materializado.
Em relação ao modelo de industrialização tocado pelo governador e apoiado por Gionédis enquanto secretário, declarou que não é mais necessário conceder incentivos para atrair empresas. Segundo ele, a guerra fiscal mostrou que o caminho não é conceder benefícios fiscais. A tendência é que a reforma tributária dê o tom da industrialização.
O ex-secretário foi cauteloso ao abordar a situação dos cofres do Estado que controlou de junho de 1997 a novembro de 2000. Negou que o governo esteja sem recursos para cobrir a folha de servidores. Os recursos disponíveis dão conta da folha, custeio e dívida. Mas não sobra para investimentos. Gionédis aproveitou a mais recente crise do governador o movimento das mulheres dos policiais militares para apontar as consequências da falta de dinheiro. O governo não tem condição de conceder os reajustes reivindicados pelas diversas categorias, e falta até gasolina para um setor essencial: a segurança.
Como o partido ainda é pequeno, Gionédis quer ampliar os quadros e atrair novas lideranças, evitando nomes conhecidos. E já trouxe aliados. O ex-secretário da Comunicação David Campos, hoje responsável pelo setor de comunicação da Assembléia Legislativa, ligado a Gionédis, assinou ficha no PSC e é integrante da executiva. O partido tem 150 diretórios no Estado, e a meta é ampliar a participação no interior. No ano passado, o PSC elegeu o vereador mais votado em Curitiba, Mauro Moraes, eleito vice-presidente estadual na chapa de Gionédis. O partido fez 85 mil votos no Estado.
Mauro Moraes, antes responsável pela chefia estadual do partido, aposta na força do nome de Gionédis para concorrer às eleições. Para Moraes, o ex-secretário da Fazenda tem condições de arrancar bons resultados nas urnas. Ele disse que as possibilidades de mudança do candidato ao governo são remotas. Isso só acontece se o vice-prefeito, Beto Richa (PTB), ou o prefeito, Cassio Taniguchi (PFL), decidirem entrar no PSC. Beto Richa está de malas prontas para o PSB. Outro nome que Moraes considera bem-vindo no partido é o do presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), que também quer chegar à chefia do Executivo.


