De la Rúa estreita relações
Ariel Palacios
Agência Estado
De Buenos Aires
O presidente eleito da Argentina Fernando de la Rúa, chega hoje a Brasília para uma visita de poucas horas ao presidente Fernando Henrique Cardoso. A viagem ao Brasil se constituirá na primeira visita de De la Rúa ao exterior depois de eleito e mais, uma promessa de campanha. Na ocasião, ele havia dito que esta viagem pretende reforçar os vínculos entre os dois países, e reafirmar a fundamental importância da aliança estratégica entre o Brasil e a Argentina.
A viagem foi confirmada no dia 24 de outubro, dia da vitória eleitoral de De la Rúa, quando o presidente FHC telefonou ao argentino para parabenizá-lo. Nesse momento, o presidente brasileiro fez o convite para que De la Rúa se reunisse com ele em Brasília.
O encontro entre os dois presidentes será puramente político, para definir prioridades e trocar idéias. A Embaixada brasileira disse que primeiro será realizado um encontro bilateral: sozinhos, os dois conversarão durante uma hora. Depois, almoçarão, em companhia da reduzida comitiva de De la Rúa. Segundo assessores do presidente eleito, ele não viajará com integrantes de sua equipe técnica, já que não serão discutidos temas comerciais específicos.
O presidente eleito afirmará a FHC que manterá a conversibilidade e a paridade um a um entre o peso e o dólar. Além da integração comercial entre os dois países, De la Rúa também quer uma maior integração na área política e militar.
O presidente eleito criticou a pouca atenção que o governo do presidente Carlos Menem deu a estes dois setores, e disse que ambos países precisavam estabelecer diretrizes comuns de política externa, além da conquista conjunta de mercados internacionais. Ultimamente, De la Rúa está fascinado com a idéia do Mercosul Natural: a venda de produtos da região com a vantagem competitiva de terem menos agroquímicos que os do Primeiro Mundo.
Nos últimos meses, o presidente eleito da Argentina também realizou uma ousada proposta na área militar: a criação de unidades mistas brasilo-argentinas, à imagem das já existentes unidades franco-germânicas dentro da União Européia.
De la Rúa chegará a Brasília com um Mercosul abalado pelas crises comerciais desatadas no fim do ano passado, e que se agravaram desde a desvalorização do real. Nos últimos três meses, temeu-se pela continuidade do bloco comercial, e nos dois países diversas lideranças políticas pediram uma revisão do Mercosul.





