Datafolha: Lerner e Álvaro empatam
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terça-feira, 30 de dezembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O governador Jaime Lerner (PFL) e o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), estão empatados com 35% das intenções de voto na disputa pelo Palácio Iguaçu. É o que revela a pesquisa estimulada divulgada ontem pelo Instituto Datafolha, no jornal a Folha de S. Paulo. O senador Roberto Requião (PMDB) aparece com 22% das intenções e o ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PT) com 2%. Votos brancos e nulos somam 4% e 2% não souberam responder.
Juntos, os adversários de Lerner (Álvaro, Requião e Cheida) detêm 59% das intenções do eleitorado. A sondagem do Datafolha foi realizada entre os dias 15 e 17 de dezembro com 1.164 eleitores em todo o Estado. Na pesquisa espontânea - onde o nome dos candidatos não são revelados - 51% dos entrevistados afirmaram que não sabem ainda em quem votar para o governo do Estado. A pesquisa do Datafolha não foi exclusiva para o Paraná. Atingiu outros 10 estados brasileiros.
O governador Jaime Lerner soube do resultado da pesquisa por telefone, nos Estados Unidos. O secretário-chefe de gabinete, Gerson Guelman, diz que o empate técnico com o ex-governador Álvaro Dias foi encarado como uma preocupação saudável. Temos de fazer uma análise mais técnica para vermos o que está acontecendo. É que claro que quem está no governo sempre acaba se desgastando, mas depois que o Álvaro deixar a presidência da Telepar, as coisas vão mudar, aposta. O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), tem a mesma tese. Segundo ele, Lerner enfrentou até agora seu inferno astral. Em 98, a história é outra, vamos começar a colher os resultados dos primeiros três anos de governo, garante.
Para o Palácio Iguaçu, a permanência do ex-governador no comando da Telepar o coloca naturalmente em evidência. Ele aproveita o horário do PSDB para fazer política, acusa Guelman. Álvaro discorda da leitura oficial e diz que o empate com Lerner não tem nada a ver com a função que deve desempenhar até o início de abril do ano que vem, prazo fatal para a desincompatibilização dos candidatos que exerçam cargos públicos. O povo está descontente com esta gestão e já emite sinais de que quer mudança, analisa.
Para o presidente da Telepar, o Datafolha é um instituto insuspeito e reforça a tese de que a oposição unida vence a eleição. O ex-governador diz que mantém contatos com o PMDB e que as conversas estão avançadas. Acho, no entanto, que não devemos definir nomes agora. Os dois partidos devem sustentar suas candidaturas até abril de 98, antes de fechar uma aliança, e através de uma pesquisa de opinião, afirma. Para Álvaro, a briga entre Lerner e Requião, por conta do bloqueio dos empréstimos externos pelo senado, não o favoreceu, como alegam os adversários. As razões são outras. O povo está abrindo o olho e vendo as falhas desta gestão, insiste.
O senador Roberto Requião diz que o terceiro lugar apontado pelo Datafolha é prova de que ele está na frente na disputa pelo Palácio Iguaçu. Ele alega que está fora da mídia televisiva do Paraná há pelo menos três anos, ao contrário de Lerner e de Álvaro. Sem disputar oficialmente, já sou campeão, ironiza. Uma união com o PMDB é possível, desde que o Álvaro saia para o Senado, emenda o senador, que já se intitula candidato de oposição ao governo em 98.


