'Daria nota oito para a atual legislatura', avalia Roque Neto
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sexta-feira, 14 de maio de 2010
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Há 500 dias a atual legislatura da Câmara de Vereadores de Londrina tomava posse, com 70% de renovação. A esperança era de novos tempos para a política local, cuja imagem havia sido maculada por falcatruas da legislatura anterior. Porém, hoje, dos 19 vereadores, dois já chegaram a ser presos, dois estão sendo processados pelo Ministério Público (MP), um foi indiciado e outro é investigado pelo MP.
Aos 49 anos, o presidente da Câmara, José Roque Neto (PTB), ex-padre da Igreja Católica e novato na política, surpreendeu ao ser eleito para a presidência no primeiro dia da nova legislatura e assumir a Prefeitura em um mandato tampão de quatro meses (janeiro a abril de 2009).
Com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma bíblia e uma cruz de ''São Bento do Exorcismo'' em sua sala, ele continua falando com jeito manso e, apesar de reconhecer os erros, garante que os vereadores trabalham bastante. E faz uma avaliação positiva da legislatura: ''Quero acreditar que o primeiro interesse é acertar e estar ao lado do povo, por isso daria nota oito''.
Por que o senhor resolveu entrar na política?
Depois que saí da Igreja, tinha que sobreviver. Abri uma lanchonete, depois trabalhei em um supermercado e em uma agência de turismo. Foi quando me chamaram para trabalhar na Câmara. Entre janeiro e novembro de 2007, trabalhei seis meses com o Sidney de Souza e dois com a Maria Ângela Santini (ex-vereadores). O (deputado federal) Alex Canziani me convidou para disputar as eleições. Acabei eleito, com 2.708 votos.
Logo no seu primeiro dia como vereador o senhor foi eleito presidente da Câmara e se tornou prefeito interino de Londrina. Foi uma sessão longa, com muita disputa e conversa de bastidores. O senhor imaginava que a política era assim?
Eu não imaginava que tinha toda essa conversação, esse jogo de bastidores. Eu vinha para esta sala e ficava em oração, pedindo para Deus reunir o que fosse melhor na minha vida e na vida da Câmara.
E começava uma nova legislatura, com 70% de renovação, e muita gente acreditando numa mudança na política da cidade...
A proposta era essa, mas não se pode entrar no ego, na formação, no intuito de cada pessoa. Fui declarado presidente e no outro dia assumi a Prefeitura. Hoje, como presidente, minha função é cuidar da Casa, seguindo o regimento.
Tantos vereadores acusados, investigados ou processados deixam o senhor decepcionado?
Não sei se decepção seria a palavra exata, pois, pelos anos que eu vivi na Igreja e em comunidade, vi que sempre temos momentos de alegria e decepção com as pessoas. O ser humano é passível de erros.
O senhor sente que hoje há um preconceito contra os políticos?
Pode ser que falem mal de mim pelas costas, mas ando pelo Calçadão, vou aos bairros e não sinto rejeição contra a minha pessoa. Na Câmara, o que pesa é a instituição. E qualquer vereador ou funcionário que faça algo de errado, é o nome da Câmara que vai para a imprensa. Isso me faz refletir se vale a pena continuar.
Se tivesse que dar uma nota para os primeiros 500 dias da atual legislatura, de 0 a 10, qual seria a nota atribuída pelo senhor?
Cometemos erros, mas tenho percebido bastante trabalho. Se compararmos com outras legislaturas, não temos, por exemplo, aquele problema da questão de doações de terrenos. Quero acreditar que o primeiro interesse é acertar e estar ao lado do povo, por isso daria nota oito.
Com sua experiência de padre, dá para dizer que a ganância é uma característica intrínseca do ser humano?
Pela psicologia que estudamos, sabemos que o ser humano pode ser induzido, pode trazer dentro de si esse germe de querer subtrair. O ser humano não muda sendo vereador. Aqui deveria engrossar mais o entendimento, a sabedoria. A formação vem de berço.


