Dantas e Nahas devem falar sobre escutas da Kroll
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de julho de 2008
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - A CPI das Escutas Telefônicas da Câmara quer convocar o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, o investidor Naji Nahas, o ex-ministro Luiz Gushiken e o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) para prestar depoimentos sobre escutas telefônicas clandestinas realizadas pela empresa americana Kroll.
Embora o tema das convocações não esteja relacionado diretamente com a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que prendeu Dantas, Nahas e pediu a prisão de Greenhalgh, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) acredita que o esquema desmontado pela PF pode vir à tona em meio às investigações das escutas.
É uma semelhança de operação envolvendo os mesmos personagens. Pode ser que isso represente alguma coisa, disse. O deputado explicou que centralizou os requerimentos de convocação nas escutas telefônicas para não fugir do foco da CPI - embora o seu objetivo, como ex-sub relator da CPI dos Correios (que investigou o mensalão) seja descobrir detalhes do esquema que envolve Dantas e Nahas.
Como a CPI é das escutas telefônicas, vamos verificar no caso da Kroll se houve irregularidades. E no caso desta operação agora (Satiagraha), queremos saber se a Polícia Federal tem elementos de que essas pessoas contrataram escutas ou foram alvo dessas escutas, afirmou Fruet.
O deputado, autor dos requerimentos de convocação, espera que os pedidos sejam votados durante reunião da CPI, na próxima terça-feira. Fruet reconheceu que dificilmente Dantas, Nahas, Gushiken e Greenhalgh sejam ouvidos antes do recesso parlamentar de julho, que tem início dia 17.
O parlamentar disse, porém, que a CPI pode trabalhar durante o recesso parlamentar se o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), atender à solicitação da comissão.
Vai depender da agenda de trabalhos. Na pior das hipóteses, em agosto a CPI pode colher os depoimentos. Se houver um pedido do presidente da comissão, ela pode funcionar no recesso desde que seja autorizada pelo presidente da Câmara, explicou.


