Brasília - Depois de ser alvo de ação na corregedoria da Câmara, a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), enfrentou ontem a ira de seus colegas do Conselho de Ética da Casa. O próprio presidente do colegiado, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), defendeu o afastamento da parlamentar depois que ela dançou no plenário da Câmara para comemorar a absolvição do petista João Magno (MG) no processo de cassação. A deputada apresentou sua posição na reunião do conselho e fez discurso no plenário se dizendo vítima de ''massacre'', ''linchamento'', ''intolerância'' e de ''preconceito''.
''A mídia quis me vilipendiar em me mostrar como a dançarina da pizza ou a sacerdotisa da imoralidade'', protestou a deputada, completando que sua trajetória política de luta pela Justiça e pelo bem-estar do povo não foi levada em conta. ''Vinte segundos da minha vida apagaram mais de 30 anos de vida política'', afirmou. A deputada reclamou de preconceito. ''Posso ser gorda, não pinto os meus cabelos, sou do PT. Se seguisse o padrão de beleza da propaganda teria sido diferente. Caso eu fosse um homem, teria sido irrelevante'', discursou da tribuna.
Guadagnin protestou ainda do que chamou de ''pensamento único'', segundo o qual todo mundo tem que ser cassado e, se não houver isso, é porque está ocorrendo pizza. No plenário, João Magno interrompeu a deputada para elogiar a coragem de Guadagnin de ''fazer valer o equilíbrio nas votações dos processos''. No conselho, a deputada é conhecida por ser a defensora dos petistas.
Já o deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) interrompeu o discurso para criticá-la. ''Não há outra forma de a opinião pública entender, nem a mídia, que não foi a dança do escárnio'', afirmou o tucano. Deputados do conselho consideraram que Guadagnin comemorou uma derrota do colegiado do qual ela faz parte e, por isso, defenderam seu afastamento. ''Ficou mal. Ele devia se afastar até que a corregedoria se pronuncie'', afirmou Izar. ''Seria prudente da parte dela se afastar'', afirmou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). ''A presença dela (no conselho) é constrangedora'', disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). ''Se ela dança, eu danço'', completou Delgado.

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