Dalton Avancini vai para prisão domiciliar
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segunda-feira, 30 de março de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba Depois de pouco mais de quatro meses de prisão o executivo Dalton dos Santos Avancini, presidente da empreiteira Camargo Corrêa, deixou a carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, na manhã de ontem, após ter o seu acordo de colaboração premiada homologado pela Justiça Federal do Paraná. O empresário estava detido desde o dia 14 de novembro, quando foi deflagrada a sétima fase da Operação Lava Jato. Eduardo Hermelino Leite, vice-presidente executivo da Camargo, também teve sua delação homologada e saiu da PF na quinta-feira passada.
Segundo informações do termo de colaboração, Avancini terá que pagar multa de R$ 2,5 milhões e usar tornozeleira eletrônica, que será monitorada pela Justiça. Por volta das 12h30, após audiência com o juiz Sérgio Moro, o empresário saiu da sede da Justiça Federal em Curitiba escondido no porta-malas do carro de um de seus advogados, para fugir dos cinegrafistas e fotógrafos. Em seguida seguiu para o Aeroporto Internacional Afonso Pena, onde pegou um voo para São Paulo.
Avancini responde a processo por corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos. Nos depoimentos do acordo de delação, ele deu detalhes sobre o esquema de corrupção dentro Petrobras e sobre a atuação das empreiteiras participantes do cartel que fraudou licitações e corrompeu agentes públicos. O teor dos depoimentos ainda está sob sigilo, mas especula-se que o executivo possa ter repassado informações sobre pagamentos de propina em licitações de outras obras públicas, como a Usina Nuclear Angra 3 e a Usina Hidrelétrica de Belo Monte.
"Ele colaborou com a Justiça e trouxe muita informação. Vai continuar à disposição da Justiça e dos outros órgãos sempre que for solicitado. Como os depoimentos são sigilosos não podemos adiantar nada, mas ele efetivamente trouxe informações relevantes que dão novos rumos para a investigação", disse o advogado de Avancini, Pierpaolo Berttini.
Conforme a defesa, o empresário ficará preso por um ano e, após este período, será feita uma avaliação por parte da defesa e do Ministério Público Federal (MPF) da efetividade do acordo de delação e dos depoimentos que foram prestados. A partir daí a expectativa dos advogados é de que a prisão domiciliar seja revertida para uma prisão de regime semiaberto.
"Cada dia tem sido um sofrimento e, por certo, este próximo ano em prisão domiciliar também será um período difícil. O Dalton se encontra bastante abalado. Foi uma estratégia (a delação) que a defesa veio utilizando que tem se apontado como vitoriosa, principalmente com o benefício da prisão domiciliar que, sem dúvida, é melhor do que estar preso na carceragem da PF ou no Complexo Médico Penal. Mas é preciso ressaltar que é uma prisão, há restrição total e ele não vai poder sair de sua casa", completou Marlus Arns de Oliveira, outro defensor do empresário.
Delações
Além de Avancini e Eduardo Leite, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, também cumpre prisão domiciliar em sua residência, no Rio de Janeiro. Além deles, já foram fechados acordos de delação premiada dentro da Operação Lava Jato com Lucas Pacce Júnior, subordinado da doleira Nelma Kodama e operador no mercado de câmbio; Ariana Azevedo Bachmann, Shanni Azevedo Costa Bachmann, Marici da Silva Azevedo Costa, Márcio Lewkowicz e Humberto Sampaio de Mesquita, filhas, esposa e genros de Costa, respectivamente; Alberto Youssef, doleiro e pivô da Lava Jato; Júlio Gerin de Almeida Camargo, executivo da Toyo Setal; Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, executivo da Toyo Setal; Pedro Barusco Filho, ex-gerente de Serviços da Petrobras; Rafael Ângulo Lopez, funcionário da GFD Investimentos e que fazia transporte de valores para Youssef; Shinko Nakandakari, operador do esquema ligado à Galvão Engenharia e seus filhos, Luiz Fernando Sendai Nakandakari e Juliana Sendai Nakandakari.


