São Paulo - A Comissão de Ética do Partido dos Trabalhadores avaliou ontem, pelo segundo dia, o comportamento dos parlamentares da ala radical do partido, que prometem votar contra a reforma da Previdência, discordando da orientação majoritária da legenda.
A comissão ouviu o depoimento de nove testemunhas, das quais apenas uma é de acusação, o deputado federal Paulo Rocha (PT-PA). Os três envolvidos no processo são a senadora Heloísa Helena (PT-AL) e os deputados Luciana Genro (PT-RS) e João Batista de Araújo (PT-PA), o Babá, ouvidos no sábado.
Entre os que se solidarizaram com os parlamentares estão o deputado federal Lindberg Faria (PT-RJ), o ex-deputado do PT Plínio de Arruda Sampaio e o economista Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O advogado Dalmo Dallari e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que foram ouvidos pela comissão, também defenderam os parlamentares. Dallari sugeriu como meio conciliatório o afastamento dos radicais do PT na sessão de votação da proposta de reforma previdenciária. Para o advogado, o trio não deve ser expulso do partido.
Suplicy disse acreditar na possibilidade de uma conciliação. Ele afirmou que fará um apelo aos radicais no sentido de que esses dêem um tratamento melhor, em sinal de respeito, quando estiverem se dirigindo a análises sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros. Suplicy relatou o histórico da senadora Heloisa Helena, a quem ele atribui uma importante participação na trajetória histórica do partido.
Manifestantes solidários à senadora Heloisa Helena e aos deputados João Batista de Araújo, o Babá, e Luciana Genro cercaram o deputado federal Paulo Rocha (PA), uma das testemunhas de acusação na porta do prédio do diretório nacional, acusando-o de ''stalinista'. Dizendo estar se sentindo agredido pelas palavras dos manifestantes, o deputado afirmou que intolerância não cabe nesse caso.
Segundo a sua avaliação o comportamento dos radicais provocou uma quebra de unidade de ação partidária, prejudicando os trabalhos da bancada. Por essa razão, ele considera que os parlamentares devem ser enquadrados politicamente. Ele saiu em defesa da bancada, argumentando que os seus componentes ainda estão debatendo a matéria, ''tanto que têm direito a fazer emendas''.

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