Dados são fachada, diz socióloga
Para a socióloga Maria Lucia Victor Barbosa, colunista da Folha, a prestação de contas é fachada. É uma prestação pró-forma. Geralmente o que é declarado não corresponde ao real. A gente vê campanhas milionárias com prestação muito inferior à realidade, critica. Ela diz que a legislação tem brechas que acabam sendo transpostas pelos candidatos. Eles fazem uma maquiagem, camuflam números e isso é difícil de ser constatado, admite.
Ela lembra que não é raro encontrar candidatos que saem das campanhas mais ricos do que entraram. Mas provar a riqueza deles ou quanto adquiriram é muito complicado porque tudo isso entra no chamado por fora, explica. A socióloga lembra que não só na política, mas em praticamente todos os setores, o por fora existe.
Para Maria Lucia, ele é um reflexo combinado da cultura do brasileiro com a legislação, que, na avaliação dela, estimula a impunidade. Enquanto certas leis não forem reformuladas, inclusive a eleitoral, a rotina da corrupção vai continuar, alerta.
A socióloga explica ainda que a própria burocracia brasileira que ela considera asfixiante, ao invés de coibir estimula a impunidade. A estrutura é burocrática demais e o aparato legislativo inadequado estimulam essa cadeia no País do dá-se um jeito que na política fica mais evidente porque os representantes ficam mais expostos publicamente. E quanto mais poder se tem, mais se quer.
Ela lembra que a corrupção vai do pequeno ao grande e não se pode criticar apenas o corruptor. O corrompido não é vítima, alega. Maria Lucia acredita que a única forma de modificar essa situação é através de uma mudança de mentalidade. E aí é um longo processo, reconhece. (P.Z)





