As constatações do estudo feito pelo Ministério da Fazenda devem servir de suporte para o debate que se reinicia no governo sobre a necessidade de uma nova reforma da Previdência, voltada para reduzir o déficit no setor privado, que foi de R$ 32 bilhões em 2004. Entre os fatores que contribuíram para o crescimento da despesa do INSS, o estudo destaca as despesas com o auxílio-doença, que até 2000 representavam 3% dos gastos e hoje estão em 8% (uma diferença de R$ 5 bilhões), mas não fala dos aumentos reais concedidos ao salário mínimo.
A radiografia nos gastos sociais mostra também que as despesas com saúde têm se mantido constantes como proporção do PIB (até porque existe um dispositivo constitucional que assegura isso), embora a composição mude bastante. O financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é o maior gasto (49,4% do total), mas tem perdido espaço para programas de caráter preventivo, como o Saúde em Família e Agentes Comunitários, que passaram de 4,1% do total em 2001 para 6,3% em 2004.
Na área de educação, destaca-se a expansão dos recursos destinados ao ensino fundamental em detrimento das despesas com alfabetização e supletivo para jovens e adultos. No ensino superior, o funcionamento dos cursos de graduação tem perdido espaço para os gastos com bolsas de estudo. (S.G.)

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