Dada a largada nos ajustes das contas públicas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de janeiro de 2015
Agência Estado 
São Paulo - Pelo menos nos discursos de posse, a presidente Dilma Rousseff e boa parte dos novos governadores sinalizaram o início de um processo de controle das contas públicas. Enquanto Dilma defendeu nesta quinta-feira, 1, ajustes "sem trair nossos compromissos sociais", alguns governadores foram ainda mais diretos e anteciparam a adoção imediata de cortes de despesas.
No caso do governo federal, ficou para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o sinal mais claro sobre a necessidade de mudanças. Ao comentar o discurso de Dilma, ele afirmou que a presidente buscou o compromisso de todos para o ajuste fiscal, a vigilância sobre a inflação e a necessidade de crescimento econômico. "O ajuste das contas públicas, o crescimento econômico e a geração de empregos são responsabilidade de todos nós", afirmou. "Todos nós estamos engajados no ajuste e na recuperação econômica. Meu colega Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) tem conhecimento técnico de primeira qualidade. A ministra da Agricultura (Kátia Abreu) também", citou.
O novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que o ano de 2015 será de "medidas necessárias". "Eu acho que, passada esta fase inicial de correções aqui e ali, a economia brasileira vai responder rapidamente como sempre respondeu", disse o ministro.
Já o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou que vai "cortar na própria carne" e anunciou que pretende reduzir entre 20% e 25% o orçamento das secretarias com a revisão de contratos em vigor. "Vamos reavaliar contratos como de aluguel de carros e telefone, e cada secretaria terá de cortar entre 20% e 25%", afirmou o governador, após a cerimônia de posse. Ele também prometeu cortar em até 35% as chamadas "gratificações especiais" aos servidores. Saúde, Educação e Segurança sofrerão "menos" cortes, de acordo com o governador.
No Rio Grande do Sul, o detalhamento de medidas ficou para esta sexta-feira, por meio de decreto. De acordo com o governador José Ivo Sartori (PMDB), o pacote deve incluir o corte de despesas e a suspensão temporária do pagamento de débitos deixados pelo governo de Tarso Genro (PT), estimados em R$ 700 milhões.
Sem detalhar o que virá pela frente, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), prometeu restaurar o equilíbrio financeiro e social para que o Estado volte a crescer.
Já o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), disse que o Estado está em grave situação financeira e que sua primeira ação será no sentido de retirá-lo do Cadastro Único de Convênios (CAUC) e passar a cumprir as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Somente assim, segundo ele, será possível conseguir a liberação para o Estado de R$ 2,07 bilhões que estão disponíveis em convênios e empréstimos.
Na Paraíba, o governador Ricardo Coutinho (PSB) disse que pretende enfrentar o cenário sombrio da retração da economia nacional fazendo ajustes, substituindo peças e promovendo mudanças. Segundo ele, o ano de 2014 foi fechado cumprindo rigorosamente os limites estabelecidos pela Lei de LRF. "Os gastos com a folha de pagamento em 2011 eram de 56,92% e baixamos para 49%. Mas, embora os indicadores sejam positivos, não podemos descansar um minuto em busca do tempo perdido. Vamos acelerar", disse.


