D. Paulo diz que auxílio é afronta ao brasileiro
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Chico Araújo <br>Agência Estado <br>De São Paulo 
O arcebispo-emérito de São Paulo, cardeal D. Paulo Evaristo Arns, criticou ontem a concessão do auxílio-moradia aos juízes. Achei que o auxílio não era a solução que deveria ter sido dada, disse. Para ele, o jeitinho encontrado pelo STF para resolver a questão salarial dos juízes é uma afronta ao trabalhador brasileiro, que vive de salário mínimo. O arcebispo avalia que o STF deveria reavaliar a aplicação do benefício, que provoca indignação da população.
D. Paulo reuniu-se ontem com o senador ACM, para tratar sobre a votação da emenda constitucional que vincula recursos dos Estados e municípios para a saúde, a exemplo do que ocorre na educação. Pela emenda, os Estados terão de atingir 12% em investimentos na saúde em cinco anos.
Apesar de reconhecer que os juízes não têm aumento de salário há cinco anos, D. Paulo disse que os operários teriam muito mais direito de reclamar. Viver num País onde uns ganham um salário mínimo e outros mais de cem, é uma injustiça clamorosa, criticou. O cardeal também defendeu a revisão imediata do valor do salário mínimo. Para que possamos ser mais justos com quem trabalha.
O cardeal previu que a concessão de auxílio-moradia aos juízes poderá desencadear um clima de revolta entre os trabalhadores brasileiros. Ele entende que o Judiciário, ao invés de oferecer o benefício aos membros, deveria ter buscado outras formas de compensar as perdas salariais dos magistrados. O auxílio-moradia não é a forma mais adequada para isso, disse.


