São Paulo - Dom Odilo Scherer, que toma posse hoje como arcebispo de São Paulo, é o ''candidato'' novo que embaralhou a eleição para a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A entidade se reúne a partir de terça-feira em Indaiatuba (SP), na sua 45 Assembléia Geral, para escolher os novos mandatários de seus cargos de direção - presidente, vice e secretário-geral. A cada quatro anos, os cerca de 300 bispos brasileiros decidem pelo voto a face política do catolicismo no Brasil.
Até o anúncio da escolha de d. Odilo para comandar a terceira maior arquidiocese do mundo, as cartas dessa disputa pareciam marcadas.
Bispos, desde os tidos como mais ''conservadores'' - que criticam o uso de instrumental sociológico para a compreensão da Igreja - até os mais ''progressistas'' - ou seja, aqueles que dão ênfase à missão política e social do catolicismo -, davam como certa a escolha de d. Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Vitória da Conquista (BA), para presidir a CNBB.
Ele ainda é considerado favorito, de toda forma. Sua ''candidatura'' fora lançada há mais de um ano e não havia concorrentes que se apresentassem com chance de vitória. Moderado, conciliador, era um nome de consenso. Embora não haja campanha oficial, é costume que os bispos conversem e façam acertos políticos antes das eleições.
Por decisão de Roma, bispos-auxiliares, cargo ocupado por d. Odilo até sua nomeação para a Arquidiocese de São Paulo, não podem presidir conferências episcopais. Com sua nomeação pelo Vaticano, ele entrou na disputa.
Questionados sobre as chances de d. Odilo, leigos e religiosos ligados à CNBB dizem que a pergunta certa a ser feita não é se o novo arcebispo tem força suficiente para fazê-lo, mas sim se Roma tem essa capacidade.
Segundo pessoas ligadas especialmente às alas mais ''sociais'' da Igreja - tradicionalmente identificadas com a ''opção preferencial pelos pobres''- , d. Odilo é o ''homem do Vaticano'' nessa disputa. O bispo gaúcho havia sido escolhido secretário-geral da entidade, em 2003, após um longo período em Roma como oficial da Congregação para os Bispos (isso entre 1994 e 2001).
Como secretário-geral, d. Odilo foi o rosto e a voz da CNBB nos últimos quatro anos. Isso se deve em parte à função executiva de seu cargo mas também à sua personalidade. Se eleito presidente da conferência, há quem diga que ele possa continuar sendo a pessoa mais identificada com a entidade.
As razões para o favoritismo de d. Geraldo na disputa pela presidência são de ordem pessoal e têm a ver com o estilo dos dois. O arcebispo de Vitória da Conquista é descrito como um homem prudente, com sensibilidade pastoral e que evita conflitos - no que, de resto, se assemelha bastante ao atual presidente, d. Geraldo Majella.
D. Odilo, ao contrário, tem um estilo mais duro, centralizador e conflitivo, o que lhe cria desafetos tanto entre os ''progressistas'' quanto entre os ''conservadores''.

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