CVM pune caso de informação privilegiada
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quinta-feira, 04 de novembro de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Aconteceu ontem, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o julgamento das 50 pessoas acusadas de uso de informações privilegiadas no processo de privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel), em 2001. A CVM não divulgou o resultado do julgamento, porém, informações extra-oficiais dão conta de que das duas grandes administradoras de fundos julgadas, uma teria sido condenada (a Fator) e outra absolvida (a Hedging-Griffo). As informações vieram das próprias administradoras.
O processo de privatização não chegou a se concretizar, porém essas duas administradoras eram acusadas de usar a informação da oferta das ações da Copel por um preço acima da sua cotação na Bolsa de Valores para lucrar prejudicando outros investidores. A Fator fazia parte do consórcio Diamante, que era composto por empresas contratadas pelo governo do Estado para assessorar na privatização. Nenhum funcionário da Copel estava envlvido no caso.
A CVM condenou, em decisão unânime, o grupo Fator a pagar uma multa de R$ 600 mil e o seu principal executivo, Walter Apeel, a pagar uma multa de R$ 500 mil e a ficar um ano inabilitado para atuar no mercado de fundos de investimentos.
A Fator, em nota oficial, explica ''que o grupo adota internamente o método de segregação de atividade, sendo que o setor que administra recursos de terceiros não tem acesso às informações das áreas que cuidam dos processos de privatização.'' Por isso, a Fator argumenta que ''não havia impedimento para que os responsáveis pela administração de recursos de terceiros das instituições (não envolvidos na privatização) negociassem com ações da Copel, ainda que a Fator Projetos e o Banco estivessem trabalhando no projeto de privatização da companhia.'' A Fator afirmou que vai recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN).
A Hedging-Griffo informou apenas que havia sido absolvida e não comentaria mais nada. A reportagem da Folha ficou em contato durante todo o dia de ontem com a assessoria da CVM, que prometeu passar o resultado oficial do julgamento até o fim da tarde. Até as 20h30 nada havia sido informado. A assessoria não quis adiantar nada por telefone afirmando que só passaria informações por escrito, o que não aconteceu.


