CUT rejeita R$ 234 na polêmica sobre mínimo
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo A Central Única dos Trabalhadores (CUT) não vai aceitar ''em hipótese nenhuma'' que a proposta de reajuste do salário mínimo fique nos R$ 234 defendidos pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e ainda vê ''com reservas'' o reajuste de R$ 240 que poderá ser apresentado pelo governo. A afirmação é do presidente da CUT, João Felício. ''Os R$ 240 nós defendemos com os índices de inflação de agora, pois este valor só reporá as perdas até maio. Mas se houver crescimento da inflação em março e abril, teremos que propor outro valor, pois não é admissível que o salário mínimo perca o poder de compra'', argumentou.
O mínimo de R$ 234 previsto no Orçamento deste ano provocou protestos de aliados e oposição ao governo. Mas a suspeita geral é de que os economistas só rebaixaram o valor no Orçamento para deixar que o presidente Lula confirme, em abril, os R$ 240 acordados no Legislativo. Na dúvida, ontem, até o vice-presidente do Senado, o petista Paulo Paim (RS), engrossou os protestos.
Segundo Paim, qualquer iniciativa do governo de propor um valor inferior aos R$ 240 acordados na Comissão Mista de Orçamento será inútil, porque os parlamentares modificarão a proposta. ''Isto pode, inclusive, dividir a base do governo.'' Mas o próprio Paim ouviu do presidente Lula, sexta-feira passada, que o mínimo ''não será menor que R$ 240''.
O presidente do PT, José Genoino, insistiu que ainda não há uma decisão tomada sobre o mínimo e que os R$ 234 são mera previsão. ''Temos tempo para conversar, para lutar por um mínimo maior, que é o nosso objetivo. O PT tomará medidas para mudar o País, como disse na campanha, mas sem rupturas'', ponderou. Em vão. ''Só pode ser brincadeira de mau gosto'', reclamou o deputado Ricardo Barros (PPB-PR), ao lembrar que o Orçamento prevê uma reserva de contingência de R$ 4,2 bilhões exatamente para bancar o aumento do mínimo.
''Ou é inexperiência com questões de governo ou tolice política se desgastar com esta recusa. Induziram a gente a gritar quando cutucaram o Congresso com vara curta, descumprindo o acordo da Comissão de Orçamento'', criticou o vice-líder pefelista Pauderney Avelino (AM). Para ele, o governo tem condições de pagar os R$ 240.


