CUT, maior sindicato do país, faz 18 anos
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segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Agência Estado<BR>De São Paulo 
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) completa 18 anos hoje, ostentando a condição de maior entidade sindical do país. A entidade conta com 3.187 sindicatos filiados, cuja base abrange 21 milhões de trabalhadores, dos quais 8,5 milhões sindicalizados.
Surgida a partir da resistência dos metalúrgicos da região do ABC, em São Paulo, às políticas salariais e à falta de liberdade sindical que marcaram os governos militares, a CUT manteve ao longo desse período uma imagem fortemente ligada à contestação. Sua vinculação ao Partido dos Trabalhadores (PT), com quem compartilhou o mesmo berço, muitas vezes lhe rendeu a acusação de funcionar como uma entidade partidarizada, que insistia em reivindicações pouco realistas, com o objetivo político de manter os governos sempre contra a parede.
A avaliação da central sobre este período é que a entidade amadureceu, mas seu presidente, João Felício, argumenta que a CUT ainda defende algumas propostas iniciais pelo fato de muitas de suas reivindicações ainda não terem sido atendidas. Ele destaca, entre outras, o contrato coletivo de trabalho, com piso único para as categorias em todos os Estados do País, e a data-base única no dia 1º de Maio, com o objetivo de fortalecer os trabalhadores.
No plano político e econômico, Felício não esconde a profunda discordância da central em relação ao modelo adotado pelo País. ''Nós queremos outro Brasil. Nem tudo deveria estar nas mãos do Estado, mas não é possível nenhum país ser livre sem ser o dono de suas companhias estratégicas. Temos exemplo disso na África, Ásia e na própria América do Sul'', cita.
Para o presidente da CUT, determinados setores estratégicos não devem ser privatizados, como petrolífero, energético e financeiro. ''Algumas companhias isoladas até poderiam pertencer à sociedade, mas educação e saúde devem ficar nas mãos do Estado. Além disso, não é apenas a venda das estatais que deve ser questionada, mas também a forma como estavam sendo gerenciadas pelo governo'', avalia.
''Chegou a hora de fazer uma mudança para melhor no País'', acredita Felício, ao defender a candidatura do presidente de honra do PT, Luis Inacio Lula da Silva, à Presidência da República. Ele admite que a interação CUT-PT é expressiva porque ambos têm militantes em comum, mas rejeita a tese de que a central segue monoliticamente a orientação do partido. ''Nem todo mundo aqui é petista'', sustenta.


