Curitiba - A Central Única dos Trabalhadores (CUT) mostra que, apesar de ter apoiado e feito campanha para que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegasse à presidência da República, não pretende aceitar as políticas de governo que julgar prejudiciais aos trabalhadores. Contrária à atual política econômica, a CUT promove, hoje, o Dia Nacional de Lutas e Mobilizações por Mudança na Política Econômica.
Em Curitiba, onde a manifestação é organizada em conjunto com a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), a expectativa é que trabalhadores, estudantes, desempregados e integrantes de vários movimentos sociais engrossem a manifestação, que inicia às 9 horas, com concentração na Praça Santos Andrade, seguida por passeta até a Boca Maldita, onde haverá um ato público.
O principal mote da mobilização é a geração de empregos, que, de acordo com o presidente da CUT no Paraná, Roni Anderson Barbosa, é o maior problema enfrentado pela sociedade atualmente. ''Este ano a economia deve crescer 3,5% ou mais, o índice de emprego também dá sinais de aumento, mas nós temos pressa. O governo precisa acelerar, implementar com maior velocidade medidas que mudem a rota da política econômica, para que haja o desenvolvimento social pretendido'', diz.
Para incrementar a economia, uma das reivindicações do movimento é a redução da taxas de juros. ''A CUT vem batalhando para democratizar o acesso ao crédito'', diz, referindo-se ao programa da central que permite empréstimo bancário pelos trabalhadores, com desconto do débito em folha de pagamento. ''A redução dos juros é uma briga grande, mas precisa ser feita'', alerta.
Aumento real de salários, distribuição de renda e criação de uma política permanente de recomposição do salário mínimo são outros pontos defendidos como forma de recompor o poder aquisitivo da população. Nesse sentido, a CUT já orientou seus sindicatos filiados para que não assinem acordos coletivos com índice de reajuste salarial abaixo do índice inflacionário. A proposta de recuperação do salário mínimo da central prevê reajustes até 2008, de forma a atender a Constituição e atingir o valor previsto pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese), hoje em torno de R$ 1,5 mil.
Também está sendo levada às ruas a campanha pela redução da jornada sem reduçao salarial, lançada nacionalmente pela CUT em março deste ano. Estudos do Dieese mostram que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais gerariam 2,8 milhões de novos postos de trabalho no País. No Paraná, seriam 130 mil novos empregos. Aliada ao fim das horas-extras e do banco de horas outra reivindicação das entidades seriam criados 200 mil vagas no Estado.

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