CUT fala em 100 mil paralisados, mas adesão nas ruas é baixa
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sexta-feira, 30 de junho de 2017
Mariana Franco Ramos Reportagem Local 
Curitiba - Uma das organizadoras da greve geral, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná estima que mais de 100 mil pessoas tenham parado suas atividades total ou parcialmente em Curitiba nesta sexta-feira (30). Entretanto, como os ônibus circularam normalmente, não houve grandes "transtornos" aos empresários e comerciantes e a adesão aos protestos de rua foi considerada baixa.
O principal ato aconteceu ao meio-dia, na Boca Maldita, região central, e reuniu pouco mais de dois mil participantes. Petroleiros, bancários, metalúrgicos, servidores municipais, professores e técnicos de universidades federais, que já tinham decidido cruzar os braços em assembleias, se juntaram a sindicalistas, estudantes e membros de movimentos sociais, como o dos sem-terra (MST). Eles levaram faixas e bandeiras e entoaram gritos contra o presidente Michel Temer (PMDB-SP) e as reformas previdenciária e trabalhista.
Integrantes da APP-Sindicato, que representa os professores da rede pública estadual, estenderam as críticas ao governador Beto Richa (PSDB) e aproveitaram para fixar cartazes em cavaletes, relembrando a chamada Batalha do Centro Cívico. Cada um continha um depoimento de um docente, falando das dificuldades de lecionar em dois ou três turnos, sem horas extras e sem o reajuste da data-base. Ao final, havia a frase #oMassacreSeRepeteTodoOdia. Em 29 de abril de 2015, durante a aprovação da reforma na Paranaprevidência pela Assembleia Legislativa, mais de 200 manifestantes ficaram feridos, reprimidos pela Polícia Militar (PM).
"A gente acha que o ato foi significativo, pelo fato de o transporte não ter aderido integralmente. O contingente de pessoas que deflagrou a greve, à revelia do transporte, foi grande. Os bancários, por exemplo, fecharam 60 agências e oito centros administrativos. Foi dado um recado, no sentido de aprofundar o contato com os senadores e deputados para barrar as reformas", avaliou o secretário-geral da CUT-PR, Márcio Kieller. Além da Central, estavam na organização as Frentes Brasil Popular, Povo sem Medo e Resistência Democrática.
Ainda que não considere a mobilização uma derrota, a estudante Maria Victória Ruy, militante do PSTU e da Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre (Anel), tem avaliação diferente. "Existe entre os trabalhadores muita disposição para fazer greve geral e outras ações radicalizadas. Tanto que no dia 28 de abril a gente teve mais de 36 milhões de trabalhadores cruzando os braços no Brasil inteiro (... ) Se a greve de hoje foi tão menor, a responsabilidade é das centrais sindicais, que fizeram uma linha de defender a convocação de eleições gerais e, com isso, esvaziar o chamado para a greve", afirmou.


