O deputado estadual Aparecido Custódio da Silva (PFL) disse ontem que é contra a privatização da Copel, mas que tem se declarado a favor da proposta do governo do Estado para garantir que cumprirá seu mandato até o fim, em dezembro de 2002. Suplente, Custódio assumiu a cadeira em 16 de janeiro, quando Nelson Justus (PTB) se licenciou para ocupar o cargo de secretário estadual de Transportes.
Pressionado por jornalistas e sindicalistas, Custódio declarou, ao chegar à Assembléia, pela manhã, que poderá votar contra a privatização, na sessão marcada para segunda-feira. Afirmou que está sofrendo ''todos os tipos'' de pressões, sem definir formas e autores desse assédio. ''Sou suplente. Posso ser afastado... Talvez nem seja mais deputado'', disse.
O governo agiu imediatamente. ''Caso o deputado Custódio tenha alguma dificuldade em relação à votação, o titular do mandato é o Nelson Justus. Não vamos perder por causa dele (Custódio)'', disparou o líder do governo, Durval Amaral (PFL). Apesar do tom da declaração, o deputado disse que não se trata de uma ameaça.
Justus negou que cogite reassumir o mandato até segunda-feira, mas a Folha apurou que o governo estuda a manobra para derrubar o ''desertor''. No momento das declarações de Custódio, Justus já estava na Assembléia. ''Venho aqui duas ou três vezes por semana'', justificou.
O governador Jaime Lerner (PFL) não comentou as declarações do deputado. Sua assessoria informou que o governo vai exigir que o parlamentar vote seguindo as orientações do partido.
Para Justus, numa situação tão polarizada quanto a da Copel, os deputados estão sujeitos a ''pressão de todos os tipos, de todos os lados''. Ele insinuou que Custódio esteja agindo com fraqueza. ''Isso é importante para se analisar a personalidade da pessoa. Nunca me lembro de alguém ter me pressionado para nada.''
Custódio repetiu pelo menos cinco vezes ser contra a venda da estatal. Chegou a chorar no final da entrevista. ''Não tenho mandato. Se o pessoal do sindicato garantir emprego depois... Hoje, com mandato na mão, sou contra''. Ex-metalúrgico, o deputado é ligado ao sindicato dessa categoria.
Ele disse que iria conversar ''com suas bases'' e com Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical à qual o sindicato é ligado para se orientar como deverá votar na segunda-feira.
(Colaborou Maria Duarte)

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